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A água entra na receita das erupções

Se você quer saber onde pode surgir um vulcão – ou se algum que já existe tem chance de explodir –, precisa conhecer o trabalho do geofísico japonês Kenji Mibe, do Instituto de Pesquisas sobre Terremotos da Universidade de Tóquio, no Japão.

Ele acha que água infiltrada é fundamental. “Se as rochas subterrâneas não ficarem úmidas na medida certa, não derretem para formar a lava”, explicou Mibe à SUPER. Ele lembra, primeiro, que as regiões mais ameaçadas são as que estão perto do ponto de encontro das grandes massas rochosas conhecidas como placas tectônicas.

Como elas se chocam em profundidades próximas de 100 quilômetros, a temperatura aí se eleva e pode dar origem a uma montanha explosiva. Mas isso só acontece se na placa houver água infiltrada da superfície e aprisionada nas rochas subterrâneas.

Além de H2O, é preciso mais dois ingredientes. “Os minerais têm de estar acima de 1 000 graus Celsius e a pressão tem que ser 20 000 vezes maior que a da atmosfera”, diz Mibe.

As regiões nas quais esses três requisitos estão presentes são fortes candidatas a detonações geológicas.

Ingredientes da explosão

É preciso calor, pressão e água para fazer um vulcão.

Os jorros de lava acontecem na borda das placas tectônicas, grandes massas rochosas que sustentam continentes e oceanos.

O atrito entre as placas produz calor e o peso da crosta gera pressão. Mas as rochas só derretem se estiverem úmidas, com água que se infiltra pelo solo e fica presa lá no fundo.