GABRILA65162183544miv_Superinteressante Created with Sketch.

A bactéria que veio do céu

Cientistas encontram micro-organismos a 41 km da Terra

Marcos Ricardo dos Santos

Um balão experimental, lançado na atmosfera por cientistas indianos, subiu a 41 quilômetros de altitude. E voltou de lá trazendo uma descoberta de arrepiar: 3 espécies de bactéria que nunca haviam sido vistas na Terra e poderiam ser de origem alienígena. Na dúvida, os indianos se adiantaram e batizaram os micro-organismos de Bacillus aryabhata, Bacillus isronensis e Janibacter hoylei – homenagem ao astrofísico inglês Fred Hoyle, famoso por acreditar que a vida na Terra se desenvolveu a partir de micro-organismos vindos de outras partes do Universo.

No Ocidente, a comunidade científica reagiu com total ceticismo. O especialista em astrobiologia John Baross, da Universidade de Washington, considera “extremamente improvável” a hipótese de que as 3 bactérias sejam alienígenas. Baross acredita que, na verdade, elas seriam de origem terrestre mesmo, e teriam ido parar na estratosfera levadas por correntes de vento, fumaça e outros fenômenos atmosféricos. E o fato de jamais terem sido vistas também não significaria muita coisa, porque acredita-se que 99% de todas as bactérias existentes na Terra ainda não tenham sido catalogadas pelo homem.

Os cientistas indianos admitem: ainda não podem provar que os novos micro-organismos são extraterrestres. Mas destacam uma informação intrigante: na altitude em que as bactérias foram encontradas, 41 quilômetros, a camada de ozônio é bastante rarefeita – isso significa que as criaturas são capazes de aguentar altíssimas doses de radiação ultravioleta, muito além do que os micro-organismos terrestres estão acostumados a suportar. Ou seja: mesmo se as bactérias não forem alienígenas, são no mínimo bastante estranhas – tiveram seu DNA modificado conforme subiam e se transformaram em espécies mutantes, que só existem na estratosfera. “Existe vida a 40 quilômetros da Terra. E isso, em si, já é uma grande descoberta”, afirmou o biólogo Pushpa Bhargava, do Centro de Biologia Molecular e Celular de Hyderabad.