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A medicina não sabe como muitos remédios funcionam – e alguns simplesmente não funcionam

"O mecanismo de ação não é plenamente conhecido." Você já deve ter lido essa frase na bula de algum medicamento. E ela é bem mais profunda do que parece

Por Fernanda Ferrairo e Bruno Garattoni Atualizado em 8 jan 2020, 14h05 - Publicado em 3 ago 2016, 17h30

20 SEGREDOS QUE OS MÉDICOS NÃO CONTAM
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Você provavelmente já tomou paracetamol quando estava com febre. Já deve ter usado algum relaxante muscular para aliviar dores no corpo. Quem sabe tenha tomado isotretinoína, na adolescência, para tratar acne. Ou faça uso, hoje, de algum antidepressivo. Mas esses medicamentos têm uma característica em comum que você não conhece: seu “mecanismo de ação não é plenamente conhecido”.

Leia bulas de remédio e você encontrará essa frase em muitos, mas muitos deles. Ela significa que a ciência não sabe, com exatidão, o que eles fazem dentro do organismo. Sabe quais são seus efeitos (tanto os desejados quanto os colaterais), comprova sua eficácia e segurança, geralmente possui teorias sobre o mecanismo de ação. Mas, a rigor, não sabe como aquilo funciona. Só sabe, empiricamente, que funciona.

Ela também sabe que alguns remédios, inclusive, não funcionam. Ou até funcionam, mas da mesma forma que uma pílula de farinha funcionaria: como placebo. Um estudo de 2014 que avaliou antidepressivos concluiu que a maioria deles era indistinguível do placebo.

Em tese, esses remédios deveriam aumentar os níveis de serotonina e/ou dopamina no cérebro. Algumas das drogas estudadas, entretanto, não demonstraram superioridade clinicamente significativa ao placebo (pílulas inócuas, sem efeito). Os pacientes que tomaram placebo também apresentaram níveis aumentados de serotonina – só que ela foi produzida pelo próprio organismo, sem nenhum medicamento.

Fonte Antidepressants and the Placebo Effect. I. Kirsch e outros, Harvard Medical School.

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