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Irmãos gêmeos têm afinidades acima da média?

Pesquisas feitas com gêmeos univitelinos separados ao nascer apontam para um papel importante da biologia no comportamento humano

Durante muitos anos, a ciência creditou as fobias a traumas passados. Então, se uma criança quase se afoga, ela vai ter medo de água para o resto da vida. No entanto, um estudo feito nos Estados Unidos com gêmeos univitelinos criados separadamente mostra que eles costumam compartilhar exatamente a mesma fobia.

A espantosa afinidade que existe entre os gêmeos é um dos mistérios que a ciência não conseguiu desvendar. Hoje se sabe que as semelhanças no comportamento de gêmeos monozigotos, ou seja, que nasceram de um mesmo óvulo e um mesmo espermatozóide e têm DNA idêntico, não se deve apenas à convivência.

Vizinhos desde o útero

“Qual a razão dessa afinidade?”, diz Luiz Celso Pereira Vilanova, professor de neurologia infantil na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Material genético idêntico, vivência intra-uterina idêntica? A ciência ainda não conhece muito bem o papel da biologia em estabelecer comportamentos.”

Quando criados juntos, é comum que, na primeira infância, na fase em que estão aprendendo a falar, os gêmeos desenvolvam um linguagem própria que só eles entendem. Tem gente que diz que gêmeos desenvolvem inclusive uma espécie de telepatia, que mesmo separados por um oceano sabem o que está acontecendo um com o outro. “Não existe nenhuma evidência científica disso”, diz Vilanova. “Mas a ciência é só um tipo de conhecimento. Existem outros, o conhecimento empírico, o conhecimento teológico. É que na nossa sociedade nós valorizamos muito o conhecimento científico.”