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Amazonia 1, primeiro satélite 100% brasileiro, será lançado neste domingo; assista

O equipamento de R$ 270 milhões foi totalmente desenvolvido no Brasil e ajudará a monitorar o desmatamento das nossas florestas com resolução inédita.

Por Bruno Carbinatto 26 fev 2021, 18h46

O Amazonia 1 – primeiro satélite de grande porte totalmente projetado, desenvolvido e operado no Brasil – será lançado neste domingo (28) às 01h54 (horário de Brasília), marcando uma nova etapa da astronomia nacional. Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), órgãos ligados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, o equipamento sairá de uma base da Agência Espacial Indiana em Sriharikota e ajudará no combate ao desmatamento da Amazônia.

Esse é o primeiro satélite de observação terrestre totalmente feito e operado no Brasil – outros programas do tipo, no passado, foram todos colaborações internacionais, como é o caso dos satélites CBERS, produzidos em parceria com a China. O Amazonia 1 (sem acento mesmo) vem sendo desenvolvido e testado desde 2008 e vai funcionar como um instrumento de monitoramento da Terra: ele ficará em uma órbita de 750 km altitude e passará pelo Brasil a cada cinco dias, fotografando o solo com uma câmera capaz de observar uma faixa de aproximadamente 850 km com 60 metros de resolução.

As imagens serão usadas monitorar o desmatamento das florestas e fazer gerenciamento de recursos naturais, especialmente na região da Amazônia e nas áreas costeiras. Também servirão para gerar dados sobre a agricultura brasileira. O satélite é o primeiro dos três que formarão a chamada Missão Amazônia. Os outros integrantes do trio, chamados Amazonia-1B e Amazonia-2, ainda estão em desenvolvimento. A vida útil do Amazonia 1 é calculada em quatro anos.

O satélite de mais de 600 kg foi levado à Índia em dezembro de 2020 após uma sucessão de atrasos – há alguns anos, falava-se em lançar o satélite em 2018; depois, esperava-se concluir a missão em meados de 2020. No país asiático, ele foi integrado ao foguete Polar Satellite Launch Vehicle (PSLV) junto com outros satélites de vários países (incluindo EUA e a própria Índia). O lançamento do foguete poderá ser acompanhado ao vivo através das redes sociais do Ministério da Ciência.

Amazonia 1 sendo integrado ao PSLV.
INPE/Divulgação

Em órbita, ele se juntará aos satélites CBERS, feitos em parceria com a China, na missão de monitoramento das florestas brasileiras – mas o satélite 100% brazuca terá uma resolução maior em seus dados e também sobrevoará o Brasil em um intervalo de tempo menor (cinco dias, contra 28). Além disso, segundo o Inpe, o Amazonia 1 veio para comprovar a capacidade do Brasil de, por meio de parcerias internas, cobrir todas as etapas de desenvolvimento de peças e processos de engenharia necessárias para um satélite desse tamanho. No caso do CBERS, muita coisa teve que ser importada da China.

“Essa competência global em engenharia de sistemas e em gerenciamento de projetos coloca o país em um novo patamar científico e tecnológico para missões espaciais. A partir do lançamento do satélite Amazonia 1, o Brasil terá dominado o ciclo de vida de fabricação de sistemas espaciais para satélites estabilizados em três eixos”, informou o Inpe em nota.

O investimento nessa empreitada ultrapassou os R$ 270 milhões, sem contar os R$ 130 milhões que vão para a empresa indiana responsável pelo seu lançamento. O satélite só não será mais brasileiro porque não poderá ser lançado aqui: a Base de Alcântara, no Maranhão não tem capacidade para realizar o lançamento de um equipamento tão pesado.

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