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Anacondas ficaram gigantes há 12 milhões de anos – e continuaram assim

Enquanto crocodilos e tartarugas colossais desapareceram, as “estrelas” de filmes de terror atravessaram milhões de anos intactas.

Por Luiza Lopes 5 dez 2025, 19h15 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h30
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Um novo estudo mostra que as sucuris, também conhecidas como anacondas, mantêm praticamente o mesmo tamanho há milhões de anos. O trabalho, publicado no dia 1º de dezembro Journal of Vertebrate Paleontology, reconstruiu o corpo desses animais a partir de fósseis encontrados no norte da Venezuela.

Os pesquisadores concluíram que, quando surgiram no registro fóssil, 12,4 milhões de anos atrás, elas já eram gigantes – e continuaram assim até hoje. A análise se baseou em 183 vértebras fossilizadas pertencentes a pelo menos 32 indivíduos.

As peças foram recuperadas ao longo de diferentes temporadas de escavação em Urumaco, região rica em fósseis de grandes répteis da América do Sul. Cada vértebra serve como uma medida confiável para estimar o comprimento total do animal, já que sucuris podem ter mais de 300 delas ao longo do corpo.

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Os autores do estudo combinaram essas medidas com dados de outros sítios paleontológicos, que revelaram que as sucuris do passado tinham, em média, 5,2 metros de comprimento – algo equivalente a um carro popular. É praticamente o mesmo tamanho das sucuris atuais, que costumam medir de quatro a cinco metros, embora alguns indivíduos alcancem até sete.

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Para confirmar as estimativas, a equipe também recorreu a uma técnica chamada “reconstrução do estado ancestral”. Ela compara características de espécies atuais, como jiboias-arborícolas e jiboias-arco-íris, e permite inferir a aparência de seus antepassados. O método reforçou a mesma conclusão: as primeiras sucuris já tinham em média entre quatro e cinco metros.

O período ao qual pertencem esses fósseis é o Mioceno. Esse intervalo geológico durou aproximadamente de 23 milhões a 5,3 milhões de anos e foi marcado por temperaturas mais altas, grandes áreas alagadas e uma fauna que incluía gigantes como o crocodilo Purusaurus, com mais de 12 metros, e a tartaruga Stupendemys, com carapaça de 3,2 metros. Esses animais desapareceram conforme o clima global esfriou e os ambientes alagados diminuíram.

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As sucuris, porém, seguiram firmes. Mas por que elas mantiveram esse tamanho por tanto tempo? 

Os próprios autores reconhecem que ainda não há uma explicação clara. O clima quente e os pântanos extensos podem ter permitido que elas atingissem o porte gigante no início de sua história, mas não explicam por que permaneceram grandes depois que o planeta esfriou e os habitats diminuíram.

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O estudo também indica que a chegada de novos predadores à América do Sul – entre o Plioceno e o Pleistoceno – não levou as serpentes a reduzir de tamanho. A disponibilidade de alimento tampouco parece ser o fator-chave.

Ao que tudo indica, as condições ecológicas que favoreceram o gigantismo no passado não são exatamente as mesmas que sustentam o tamanho atual. E a estabilidade ao longo de milhões de anos continua sendo um enigma.

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O que se sabe é que ambientes modernos, como várzeas e grandes rios da Amazônia, ainda oferecem presas abundantes, como capivaras e peixes de grande porte, que sustentam o metabolismo de uma serpente gigante.

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