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Artemis II é a primeira missão lunar com um banheiro – mas ele já está dando problemas

Fazer as necessidades na microgravidade é uma tarefa difícil. Entenda como funciona o vaso sanitário da cápsula Orion, e por que ele se tornou a primeira dor de cabeça dos astronautas.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 2 abr 2026, 19h00
Artemis II é a primeira missão lunar com um banheiro – mas ele já está dando problemas Priorizar nos meus resultados Google

Os quatro astronautas a bordo da nave Orion terão acesso a um “luxo” inédito: um banheiro, com vaso sanitário e tudo. A missão Artemis II é a primeira a ter uma instalação específica para as necessidades fisiológicas, contando inclusive com uma porta para garantir a privacidade da tripulação. Apesar de revolucionário, o banheiro espacial também se tornou a primeira dor de cabeça do voo: ele apresentou problemas logo no início da viagem e precisou ser consertado pelos astronautas.

Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, da Nasa e da Agência Espacial do Canadá, embarcaram ontem na missão Artemis II, que irá realizar um sobrevoo na Lua – a primeira visita dos humanos ao astro em mais de 50 anos. A duração total da viagem é de cerca de 10 dias e eles não irão pousar.

A cápsula Orion tem um espaço habitável bastante compacto, com cerca de 9 m³. Os astronautas permanecerão ali durante toda a missão, usando o mesmo local para dormir, trabalhar, comer e, claro, fazer suas necessidades.

Nas missões lunares do projeto Apollo, que ocorreram nos anos 1960 e 1970, os astronautas não possuíam um banheiro ou sequer um espaço fechado para esses momentos. As necessidades eram feitas em sacos plásticos e tubos, com adesivos que os prendiam ao corpo. Depois, era necessário misturar manualmente germicidas aos dejetos para evitar contaminação.

Curiosidade: esses sacos foram deixados na superfície lunar, para reduzir as chances de contaminação na volta à Terra e economizar espaço na nave.

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Como você deve imaginar, fazer xixi e cocô na microgravidade não é uma tarefa agradável. Os vazamentos eram corriqueiros, e muitas vezes os astronautas tinham que “caçar” resquícios de vômito ou fezes flutuando pela cabine.

Agora, pela primeira vez, uma missão lunar conta com um banheiro. De certa forma, é um luxo revolucionário para os astronautas, contando com uma porta para privacidade e um vaso sanitário adaptado para os dois sexos (Christina Koch, afinal, é a primeira mulher numa missão lunar).

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Por outro lado, o cômodo está longe do porcelanato reluzente. O primeiro obstáculo: os aparelhos envolvidos são muito barulhentos; os astronautas precisam colocar protetores nos ouvidos antes de entrar.

A porta, aliás, fica no chão da cápsula. Como, na microgravidade, a noção de “cima” e “baixo” não existe, os astronautas podem flutuar em qualquer direção.

Fotografia do banheiro dos astronautas.
(Canadian Space Agency/Divulgação)
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Dentro do apertado banheiro, os astronautas precisam usar suportes para as mãos e prender os pés, mantendo-se estáveis no vaso sanitário, cujo nome oficial é Universal Waste Management System (Sistema Universal de Gerenciamento de Resíduos, em tradução literal). 

Ele começou a ser desenvolvido pela Nasa em parceria com a empresa Collins Aerospace em 2015, combinando elementos de sucesso dos sistemas da Apollo e da ISS (Estação Espacial Internacional). O modelo soluciona várias das principais reclamações dos astronautas.

Trata-se de uma privada engenhosa, responsável por coletar fezes e urina. Para urinar, há um funil ligado a uma mangueira. Cada astronauta possui o seu. Já para defecar, usa-se um assento. Veja no vídeo abaixo.

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Há um outro desafio: na microgravidade, fezes e urina flutuam. Por isso, os dejetos são sugados por um sistema de ar, que também auxilia no próprio processo de eliminação do corpo. A urina acumulada é descartada no espaço diariamente, enquanto as fezes são armazenadas em recipientes com filtros de odor e trazidas de volta à Terra.

Apesar da logística, o banheiro oferece uma privacidade inédita à missão. É o único espaço da nave em que os astronautas podem ficar sozinhos.

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As fotos e vídeos divulgados são de um protótipo, usado pelos astronautas nos treinamentos antes da missão.

O Universal Waste Management System é impresso em 3D com titânio. Ele foi implementado na ISS em 2021, substituindo o sistema anterior, que não processava fezes e urina simultaneamente e não havia sido projetado para a anatomia feminina, além de não ter porta. A versão usada na Orion precisou ser adaptada e é menor.

Além disso, nas missões da ISS, a urina costuma ser reciclada e transformada em água potável. Como a Artemis II tem duração de apenas 10 dias, isso não será necessário.

O que aconteceu com o banheiro da Artemis II?

Apenas algumas horas após o lançamento, a tripulação reportou um problema no controlador do banheiro, que estava com o acesso bloqueado e com uma luz de falha piscando. 

Depois de uma investigação remota, os astronautas receberam instruções da equipe da Nasa na Terra para acessar o sistema e realizar o reparo. Nesse meio tempo, eles ainda podiam usar o banheiro para defecar, mas precisaram recorrer a sacos (semelhantes aos da era Apollo) para urinar.

Felizmente, após algumas horas, o sistema foi consertado. Ainda assim, a recomendação oficial é ligar o aparelho e esperar um tempo antes de utilizá-lo, e também mantê-lo funcionando por mais alguns momentos após o fim do uso, para evitar novos problemas.

Complicações menores como essa são esperadas nesta missão e não são consideradas graves.

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