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Astrônomos publicam dados sobre o Universo capazes de preencher 30 mil Wikipédias

Com 1,6 petabytes, segundo lote das imagens coletadas pelo Observatório Pan-STARRS é o maior conjunto de dados astronômicos já disponibilizado da história.

É como se cada brasileiro tirasse dez selfies e as postasse em algum repositório na internet, totalizando dois bilhões de cliques. Ou então se alguém copiasse e colasse todos os artigos presentes na Wikipédia — 30 mil vezes. Estamos falando de 1,6 petabytes de dados, um milhão e mais um trocado de GB. Essa é a grandeza do maior volume de informações astronômicas já publicadas na história, disponibilizadas nesta semana à comunidade científica graças ao Pan-STARRS, maior levantamento digital do céu noturno, coordenado pelo Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí.

“Colocamos o Universo em uma caixa e todo mundo pode dar uma espiada”, disse, em comunicado, o engenheiro Conrad Holmberg, que ajudou a montar essa base de dados descomunal. É a segunda vez que o projeto abre seus resultados para os cientistas do mundo todo, após uma publicação parcial em dezembro de 2016.

“Muitas grandes descobertas já foram reveladas, mas elas são só a superfície – e agora a comunidade da astronomia poderá cavar mais fundo, minerar os dados, e encontrar neles tesouros astronômicos que nós nem começamos a imaginar”, disse Heather Flewelling, que colaborou com o primeiro lote de dados.

Pan-STARRS é a sigla para Panoramic Survey Telescope & Rapid Response System, um observatório que consiste em uma câmera de 1,4 bilhão de pixels acoplada a um telescópio de 1,8 metro. Ambos estão baseados no cume do monte Haleakalā, vulcão com três quilômetros de altura localizado em Maui, a segunda maior ilha do Havaí.

Ali em cima, no meio do Pacífico, a escuridão está protegida ao máximo da poluição luminosa. Era o lugar ideal para que o instrumento passasse quatro anos documentando todo o firmamento. O céu foi examinado em sua completude não uma, mas 12 vezes, com cinco filtros diferentes, em luz visível e no infravermelho próximo. O levantamento começou em maio de 2010.

Um dos principais objetivos era localizar o máximo possível de corpos celestes em movimento, que poderiam indicar asteroides ou cometas desconhecidos com algum risco de colidir com a Terra. Mas coisas bem mais peculiares acabaram aparecendo, como o famoso Oumuamua, primeiro objeto interestelar a cruzar o Sistema Solar, bem como alguns planetas vagando sem rumo entre as estrelas, desgarrados de seus sistemas planetários. Observações também permitiram o primeiro mapeamento em 3D da poeira na Via Láctea.

No acervo de dados coletados pelo Pan-STARRS, há registros de alta precisão de três bilhões de fontes distintas, entre objetos em movimento, galáxias e estrelas, além de uma vasta gama de eventos astrofísicos. O consórcio envolveu dez instituições de pesquisa de quatro países, e contou com o apoio da NASA e da Fundação Nacional da Ciência (NSF). Agora que podem acessar cada foto individualmente, os astrônomos terão a chance de realizar ainda mais descobertas incríveis — e compreender melhor nosso Universo.