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Aves desistem de migrar para ficar comendo lixo

As cegonhas costumavam voar até 3 mil quilômetros no inverno, em busca de comida - um hábito que lhes rendeu a fama de entregadoras bebês. Mas, assim como os humanos, elas estão trocando seus saudáveis hábitos tradicionais pelo de comer lixo.

Por Helô D'Angelo Atualizado em 31 out 2016, 18h59 - Publicado em 16 mar 2016, 13h45

Seus pais provavelmente já disseram para você que a cegonha é a responsável por trazer os bebês. Se isso fosse mesmo real, a reprodução humana atual estaria sendo bastante afetada. De acordo com uma pesquisa da Universidade de East Anglia (UEA),  essas aves estão ficando viciadas em comer lixo – e deixando de migrar no inverno por isso. 

Desde os anos 80, números cada vez maiores de cegonhas estão ficando na Espanha e em Portugal o ano todo, em vez de viajar para a África, onde é mais quente no período. É que elas se deram conta de que não precisam mais voar até 3 mil quilômetros para encontrar comida: as aves estão se alimentando de lixo em aterros abertos, uma fonte constante de alimento inclusive no inverno. O estudo mostra que a população de cegonhas na região cresceu cerca de 10 vezes, somando um total de 14 mil aves, um número que continua a crescer. 

A energia que era gasta pelas aves nas longas viagens migratórias agora é usada na defesa dos ninhos em espaços privilegiados – quanto mais perto dos lixões estiver o ninho, mais cobiçado ele é pelas outras cegonhas. As aves também estão se reproduzindo mais cedo no ano, já que não precisam esperar pela primavera. 

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Como se a situação não fosse trágica o suficiente, existe um outro problema. Recentemente, a EU Landfill Directives, órgão responsável pelos aterros na União Europeia, decretou o fechamento dos lixões a céu aberto e a sua substituição por aterros sanitários,  nos quais o lixo orgânico é enterrado. Segundo a pesquisa, isso pode causar ainda mais impacto no ciclo reprodutivo das cegonhas, forçando-as a se adaptar uma segunda vez. Muitas, indica o estudo, acabarão morrendo no processo.

No estudo, 48 aves foram monitoradas por GPS e suas posições foram transmitidas aos cientistas cinco vezes por dia. Cada posição determinava se os pássaros estavam parados, procurando comida ou chocando seus ovos. O aparelho foi desenvolvido na UEA com a ajuda da Universidade de Lisboa, da Universidade do Porto e do British Trust for Ornithology. É a primeira vez que os cientistas conseguem confirmar que as cegonhas estão formando ninhos e vivendo perto dos lixões durante o ano todo. 

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