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Bebês nascidos de cesárea podem ter imunidade turbinada logo após o parto

Cientistas da Universidade de Nova York deram um banho de micróbios em recém-nascidos de cesárea - e o resultado foi ótimo

Por Ana Luísa Fernandes - Atualizado em 4 nov 2016, 19h09 - Publicado em 5 fev 2016, 10h00

Quando um bebê nasce de parto normal, ele é coberto de micróbios que ficam no canal vaginal da mãe. Isso é uma coisa boa: as bactérias contribuem para o desenvolvimento do microbioma do recém-nascido, e ajuda a regular o peso, a formar o sistema imunológico entre muitas outras funções. As crianças que nascem de cesárea podem ficar prejudicadas nesses quesitos, desenvolvendo alergias e asma, por exemplo. Agora, cientistas na Universidade de Nova York parecem ter encontrado um meio de reverter essa situação.

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“A nossa hipótese e esperança é que, reestabelecendo esses micróbios, nós consigamos diminuir o risco dessas doenças”, explica o pesquisador Jose Clemente. Eles conduziram um teste com 18 mães e seus recém-nascidos. Sete nasceram de parto normal e os outros 11 de cesárea. Desses que nasceram de cesárea, quatro foram esfregados com uma gaze embebida nos fluidos vaginais da mãe.

Se você achou nojento, saiba que essa ação pode ter poupado muitos problemas futuros para os quatro bebês. Durante 30 dias, os médicos colheram amostras dos micróbios das 11 crianças, e o resultado apontou que os nascidos de parto normal e os que levaram um banho de fluidos tinham populações parecidas de bactérias no intestino – bactérias que podem estar associadas a processos anti-inflamatórios. Os que nasceram de cesárea e não sofreram nenhuma intervenção não tinham um microbioma similar.

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É claro que nem todos os bebês que nascem de cesárea são menos saudáveis. As bactérias corporais se desenvolvem ao longo do tempo, e também dependem de vários fatores, como o conato com o ambiente e a alimentação. O problema real é que os estudiosos estimam que apenas 15% das mulheres grávidas do mundo realmente precisam de um parto cirúrgico, por questões médicas. No Brasil, 57% dos nascimentos são assim.

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