🔥 Esquenta Black Friday com PREÇO BAIXO! Assine Revista Impressa + Digital Premium e aproveite! 🤑

Biólogo brasileiro registra raro leopardo com melanismo. Veja imagens.

Com condição genética presente em menos de 1% dos leopardos africanos, João Paulo Krajewski filmou a fêmea Giza ao lado dos filhotes em um safári no Quênia.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 23 jul 2026, 08h00 | Atualizado em 23 jul 2026, 16h05
Biólogo brasileiro registra raro leopardo com melanismo. Veja imagens. Priorizar nos meus resultados Google

Os leopardos são conhecidos por sua agilidade, força e, é claro, pela pelagem característica de cor amarelo-clara, coberta por manchas pretas chamadas rosetas – muito úteis para a camuflagem. Há diversas subespécies de leopardos, a maioria espalhada pela África e pela Ásia, e avistá-las é o sonho de qualquer biólogo.

Mas há um animal em específico bem mais difícil de encontrar: o leopardo-negro africano, que possui a pelagem preta ao invés de amarelada. As tradicionais rosetas ainda estão presentes, mas são quase imperceptíveis dependendo da iluminação. Seu tom é apenas ligeiramente mais escuro do que o pelo, o que faz os animais parecerem, de longe, verdadeiras panteras-negras.

Não se trata de uma espécie diferente, mas de leopardos-africanos (Panthera pardus) com uma condição genética rara chamada melanismo. Ela funciona como o oposto do albinismo e é caracterizada pela superpigmentação da pelagem.

Pantera negra de pelagem escura e olhos amarelos, em pé na grama alta, olhando para a direita com foco e atenção
(João Paulo Krajewski/Divulgação)
Continua após a publicidade

Na África, menos de 1% dos leopardos apresentam essa condição. Já em algumas regiões da Ásia, eles são um pouco mais frequentes, porque a pelagem escura oferece vantagens de camuflagem em florestas densas. Ainda assim, continuam sendo raros.

Por isso, foi uma surpresa quando o biólogo e cinegrafista brasileiro João Paulo Krajewski recebeu, em abril, a notícia de que uma fêmea de leopardo-negro africano circulava em uma reserva na região de Laikipia, no Quênia. João é referência na área e vencedor de um Emmy pela série Mundo Secreto dos Sons com David Attenborough, em que gravou as cenas no Brasil.

O leopardo se chama Giza Mrembo, nome em suaíli que significa “A Bela Escuridão”. Ela tem dois filhotes (um macho e uma fêmea) que tinham 17 meses quando um amigo fotógrafo convidou João para registrá-los. Os filhotes de leopardo costumam se dispersar quando atingem cerca de 18 ou 19 meses de idade.

Continua após a publicidade

João precisava agir rápido, antes que eles se espalhassem e se tornassem ainda mais difíceis de localizar. Assim, cerca de um mês depois da notícia, ele e um grupo de fotógrafos de diferentes países partiram para o Quênia. 

Uma onça-pintada de pelagem preta morde suavemente a cabeça de outra onça-pintada de pelagem amarela com pintas pretas, em meio à vegetação seca
(João Paulo Krajewski/Divulgação)
Continua após a publicidade

Os filhotes já estariam com cerca de 18 meses. E o mais curioso é que eles apresentam a coloração típica dos leopardos, e não preta como a mãe.

Para entender como isso é possível, é preciso voltar às aulas de genética do ensino médio. Os genes, que determinam as características hereditárias de um indivíduo, são formados por dois alelos, que podem ser dominantes (A) ou recessivos (a). As características associadas ao alelo dominante se manifestam sempre que ele está presente (AA ou Aa). Já as recessivas só aparecem quando o indivíduo possui duas cópias do alelo recessivo (aa).

O melanismo é causado por uma mutação em um alelo recessivo. Por isso, a condição é tão incomum e difícil de aparecer nos leopardos.

Continua após a publicidade

Giza possui o genótipo aa, mas seu parceiro carregava um alelo dominante, que foi herdado pelos filhotes. Assim, eles nasceram com a pelagem amarelada, mas continuam carregando um dos alelos recessivos da mãe. Isso significa que existe a possibilidade de que, nas próximas gerações de leopardos da região, nasçam novos filhotes melânicos.

A jornada para registrar Giza

Conseguir avistar Giza e os filhotes foi um desafio à parte – e João foi um pouco azarado, conforme suas próprias palavras.

Continua após a publicidade

Os filhotes permaneciam na mesma região, enquanto Giza os visitava periodicamente. A estratégia era fazer vários safáris ao longo de alguns dias, sempre na área onde os filhotes costumavam ficar, na esperança de, em algum momento, encontrar a família reunida.

Logo na manhã do primeiro safári, Krajewski e os outros fotógrafos deram de cara com os filhotes. Giza, porém, apareceu apenas nos últimos instantes de luz do dia e permaneceu por pouquíssimo tempo.

“A primeira vez que eu vi aquela sombra preta passando e a Giza se materializando foi uma emoção. É um choque tão grande que você treme. Teve até algumas imagens que ficaram tremidas e eu tive que apagar”, conta João, em entrevista à Superinteressante. “Existia, além do bicho ser lindo, a expectativa de saber se a gente conseguiria vê-la, o que não era garantido.”

No dia seguinte, Giza não apareceu, e os guias acreditavam que ela tivesse ido para uma área mais distante. Por isso, João decidiu pular o terceiro dia de safári. Justamente nesse dia, Giza apareceu.

Pantera negra com olhos amarelos e bigodes longos, parcialmente escondida por folhagem verde em primeiro plano, contra um fundo amarelo claro
(João Paulo Krajewski/Divulgação)

Ele voltou para o quarto dia – e ela havia ido embora novamente. No quinto dia, enfim, a sorte mudou. Krajewski conseguiu registrar Giza encontrando os filhotes.

“Foi muito especial. É uma sensação muito louca, porque você não sabe se olha para o bicho ou para a câmera. Você quer a imagem, mas é tudo tão encantador, e tão lindo. Você nunca sabe quando vai poder ver aquele animal de novo”, descreve.

Ao lado da emoção de encontrar Giza, existe também o desafio técnico de conseguir os melhores registros possíveis. A equipe do safári e os próprios fotógrafos precisam tomar decisões em segundos sobre a posição do veículo, a luz, as configurações da câmera e diversos outros fatores.

O objetivo de João era filmar. Para isso, ele levou uma grande câmera de vídeo apoiada sobre um tripé, que ficavam dentro do veículo do safári. O equipamento oferecia menos mobilidade, mas era a melhor opção para capturar imagens cinematográficas em alta resolução.

A câmera estava equipada com uma lente Canon CN-20, com zoom de 50 a 1500 mm. Ela foi fundamental porque Giza se movimentava constantemente. Às vezes, permanecia a mais de 30 metros do carro, exigindo um grande zoom. Em outros momentos, aproximava-se tanto que chegava a encostar no veículo.

“Na hora, a gente fica com o carro parado e o motor desligado para não tremer. Ela passou por nós encostando no carro, tão perto que eu não consegui fazer algumas imagens. Um colega meu literalmente puxou o braço para dentro do carro para não encostar nela.”

Esse comportamento não é comum entre leopardos. Mas Giza já está habituada à presença de veículos, e os guias sabiam que sua aproximação não representava risco. “Ela nasceu numa área que, apesar de muito controlada, recebe muitos carros de turismo. Lá também não existe caça, então é um animal que não se assusta com carros”, explica o cinegrafista.

Embora Giza fosse o principal objetivo da viagem, ela representava apenas parte do trabalho da equipe no Quênia. Os fotógrafos também registraram outros animais do ecossistema local, como aves, uma manada de elefantes e, por sorte, um serval-negro, um pequeno felino extremamente raro, além de muitas outras espécies.

“Esses bichos muito raros realmente mexem com a gente. Mas eles também funcionam como uma bandeira para a conservação e fazem as pessoas lembrarem de todo o resto. Mostrar como a Giza é magnífica acaba aproximando o público de tantas outras coisas lindas do meio ambiente”, completa Krajewski.

O safári foi realizado pelo Rhino Watch Safari, na área de conservação Ewaso Enclave, que abrirá um acampamento na reserva no fim do ano e ofereceu aos fotógrafos a oportunidade de se hospedar no local antecipadamente. Eles doaram todas as imagens produzidas durante a expedição.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Capa da revista Veja, um celular e um notebook exibindo conteúdo digital, sobre fundo escuro com o texto BLACKFRIDAY repetidoBanner de Black Friday com fundo roxo e preto, exibindo a palavra BLACKFRIDAY repetida. À direita, um laptop prateado com uma imagem de carro na tela, um smartphone com um site de notícias e uma revista Veja aberta com uma foto de comida.
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ESQUENTA BLACK FRIDAY

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).