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Bolsa de asteróides

Marcelo Bortoloti

Façam suas apostas: qual é o asteróide que vai atingir a Terra e causar uma enorme destruição? Talvez você não saiba, mas existe algo muito parecido com um bolão desse tipo. Só que, é claro, em versão acadêmica (e, até onde se sabe, sem envolver apostas em dinheiro). São cientistas da Nasa, nos Estados Unidos, e da Universidade de Pisa, Itália, que mantêm um ranking dos asteróides com maior probabilidade de nos atingir nos próximos 100 anos. Atualmente, existem 52 objetos em provável rota de colisão, mas a lista muda a cada instante. O primeiro motivo é que esses pequenos blocos de pedra são atraídos pela força gravitacional de planetas e, com o passar do tempo, sofrem ligeiras alterações de percurso. Além disso, quase todos ainda são muito pouco estudados. Cada vez que um astrônomo olha para um asteróide, consegue informações capazes de aumentar ou diminuir a cotação dele na bolsa de colisões.

As previsões dependem de uma rede mundial. Astrônomos de diversos países observam asteróides, perigosos ou não, e enviam suas descobertas para a International Astronomical Union (IAU), responsável por organizar os dados. Essa central tem um mapa completo, com os milhares de asteróides catalogados, detalhando seu tamanho, velocidade e trajetória estimada. Com essas informações, cientistas italianos e americanos calculam o risco de colisão. Não é um trabalho fácil. A cada ano os cientistas descobrem cerca de 250 novos asteróides. Só que, para saber qual a velocidade e a trajetória exata de cada um deles, é preciso observá-los por muitos anos. “Ainda não temos dados suficientes sobre a maioria dos asteróides. Daí a dificuldade em fazer previsões de impacto mais precisas”, diz o astrônomo brasileiro Paulo Holvorcem. Mas não é preciso entrar em pânico: o risco de qualquer colisão ainda é bastante remoto.

A pedra da vez

Os asteróides que mais nos ameaçam

1950 DA

Diâmetro: 1 400 metros

Velocidade: 64 mil km/h

Colisão: março de 2880

Probabilidade: 1 em 300

Características: Tem uma órbita conhecida e vai demorar para chegar aqui. Se caísse no oceano, faria ondas com mais de 100 metros de altura, capazes de inundar países inteiros

1997 XR2

Diâmetro: 230 metros

Velocidade: 47 mil km/h

Colisão: junho de 2101

Probabilidade: 1 em 10 mil

Características: Considerado o mais perigoso nos próximos 100 anos. Já foi observado 144 vezes e tem a órbita razoavelmente conhecida

1994 WR12

Diâmetro: 110 metros

Velocidade: 53 mil km/h

Data da Colisão: entre 2054 e 2102

Probabilidade: 1 em 10 mil

Características: Tem chance de colidir em novembro, mas ninguém sabe ao certo de qual ano. Seu impacto seria equivalente a uma explosão de 53 megatons

2000 SG344

Diâmetro: 40 metros

Velocidade: 40 mil km/h

Colisão: entre 2068 e 2101

Probabilidade: 1 em 556

Características: Pelo tamanho, não causaria muitos danos ao planeta. Mas a grande chance de nos atingir daqui a poucas décadas garante o seu lugar entre os mais perigosos