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Brilho eterno do neurônio da lembrança

Novo estudo pode causar revolução na ciência da memória

Por 31 jul 2005, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h51
  • Rodrigo Rezende

    Antes de começar a ler esta nota, pare um momento, lembre de imagens de uma pessoa que você ama e pense nela. Agora reflita: em que lugar do seu cérebro ficam armazenadas tantas memórias sobre alguém? Se você pensou em um batalhão de neurônios, esqueça. Um estudo do Instituto da Universidade da Califórnia acaba de afirmar exatamente o contrário: todas essas lembranças podem estar gravadas em poucos ou até mesmo em um único neurônio.

    Mas o que muda com isso? Bom, se você levou um pé na bunda de uma pessoa que ama e não suporta mais a dor de lembrar dela a cada instante, é possível resolver o problema anulando apenas 1 de seus neurônios. Esse, aliás, era o desejo de Joel, personagem de Jim Carrey em Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança. No filme, os médicos têm um trabalhão para apagar todos os traços da amada Clementine (Kate Winslet) na memória dele. De acordo com o estudo californiano, os especialistas agora teriam vida mansa: bastaria encontrar o “neurônio Clementine” para resolver a situação. E isso não é só coisa de filme. Um neurônio que responde apenas à lembrança de uma atriz famosa foi justamente o que os cientistas responsáveis pela descoberta encontraram por meio de eletrodos implantados no cérebro de um paciente. Só que a atriz era outra: Jennifer Aniston, aquela que fez fama no seriado Friends.

    Antes do estudo, a explicação consensual para a formação da memória no cérebro dizia que tínhamos uma série de neurônios especializados e que cada um se encarregava de armazenar uma parte das lembranças: cheiros, histórias, imagens. “Ninguém havia previsto uma confirmação tão impressionante na esfera dos neurônios individuais”, diz Charles Connor, especialista da Universidade Johns Hopkins. Na verdade, a nova hipótese ressuscitou uma idéia antiga, mas que nunca foi levada a sério pelos cientistas: a teoria do “neurônio da vovó”, que afirma que temos neurônios específicos para cada pessoa que conhecemos. Um para o pai, outro para namorada e outro para a inesquecível vovó.

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