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Cemitério de baleias? Centenas de carcaças são encontradas juntas no fundo do oceano

Apelidada de "necrópole de baleias", a região no Oceano Índico reúne carcaças de até 5,3 milhões de anos.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 13 jun 2026, 16h00
Cemitério de baleias? Centenas de carcaças são encontradas juntas no fundo do oceano Priorizar nos meus resultados Google

As baleias estão entre os animais mais pesados do mundo, com algumas espécies ultrapassando 50 toneladas. Para comparação, um carro médio pesa cerca de 1,5 tonelada. As grandes baleias possuem poucos predadores naturais – afinal, não é tão fácil devorar ossos que podem ultrapassar um metro de comprimento.

Quando esses animais morrem, seus corpos vão parar no fundo do oceano, formando verdadeiros cemitérios de baleias. Essas carcaças podem permanecer preservadas por milhões de anos, criando um registro fóssil valiosíssimo.

Mais do que isso, elas sustentam uma grande biodiversidade ao seu redor e armazenam enormes quantidades de dióxido de carbono, que ficam aprisionadas por longos períodos. Esse carbono vem tanto das próprias baleias quanto da chamada “neve marinha”, que são pequenos detritos e restos de matéria orgânica que afundam da superfície até o fundo do oceano e acabam se acumulando nas carcaças.

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Agora, uma equipe da Academia Chinesa de Ciências, em colaboração com a Universidade de Pisa e o Instituto Nacional de Pesquisa da Água e da Atmosfera da Nova Zelândia, documentaram o maior e mais profundo agrupamento de carcaças com ecossistema ativo já registrado na história.

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Os pesquisadores encontraram 485 sítios com fósseis de baleias e cinco whale-fall ecosystems (“ecossistemas de queda de baleia”, em tradução livre) na Zona de Diamantina, no sudeste do Oceano Índico. Essas carcaças ainda sustentam comunidades biológicas ativas. Os achados estavam distribuídos em profundidades entre 4.616 e 7.001 metros.

Um dos whale-fall ecosystems foi encontrado a 6.789 metros de profundidade, tornando-se o ecossistema ativo de carcaça de baleia mais profundo já registrado. Antes disso, nenhuma carcaça ativa havia sido documentada em profundidades superiores a 6 mil metros.

Outra carcaça ativa do local, com cerca de cinco metros de comprimento, foi encontrada a 5.610 metros de profundidade.

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O sítio foi identificado em 2023 durante 32 mergulhos realizados pela equipe em um veículo submersível tripulado (human occupied vehicle). Os resultados da pesquisa, porém, só foram divulgados este mês, em 10 de junho, no periódico científico Nature.

As carcaças ativas encontradas abrigavam comunidades complexas de microrganismos – os chamados tapetes microbianos – além de animais como estrelas-do-mar, vermes e moluscos. Confira uma foto da pesquisa que destaca esses seres:

Quatro imagens subaquáticas de restos de baleia no fundo do mar. A imagem superior mostra uma coluna vertebral azul-esverdeada com caranguejos e estrelas-do-mar. O detalhe e exibe conchas brancas e vermes. A imagem inferior esquerda mostra a coluna com ovos brancos e vermes. A imagem inferior direita exibe três blocos de madeira com vermes.
(Peng, X., Zhou, P., Song, X. et al. A 5.3-million-year-old deep-sea whale necropolis in the Diamantina Zone. Nature (2026)./Reprodução)
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Também foi registrada a presença de uma margarida-do-mar do gênero Xyloplax, marcando o primeiro registro desse animal em uma carcaça de baleia. Até então, a espécie só havia sido encontrada em pedaços de madeira e fendas do fundo marinho.

A estimativa levantada pela pesquisa é que existam até 759 baleias mortas por quilômetro quadrado na região. Pelo tamanho impressionante, o local foi apelidado de “necrópole de baleias”.

E a idade desse cemitério? Pelo menos 5,3 milhões de anos, segundo a datação de isótopos. Foi nessa época que o local começou a acumular carcaças, formando um registro contínuo da vida marinha profunda ao longo das eras geológicas. Alguns dos fósseis encontrados pertencem, inclusive, a espécies de baleias já extintas.

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E por que existem tantos restos de baleias ali? Segundo os pesquisadores, a região funciona como uma importante área de alimentação para baleias, que frequentemente realizam mergulhos profundos e acabam morrendo. Além disso, a geografia da zona favorece o acúmulo das carcaças no fundo do mar, enquanto a baixa deposição de sedimentos ajuda a mantê-las expostas.

O achado oferece uma boa janela para compreender como era a vida marinha milhões de anos atrás, além de fornecer informações sobre a evolução e a distribuição geográfica.

Por outro lado, a descoberta também chama atenção por outro motivo: a enorme quantidade de carbono (provavelmente na casa das toneladas) que está armazenada nessas carcaças. Até agora, esse reservatório era desconhecido.

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