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Cientistas descongelam bactéria de 5 mil anos – e ela tem resistência a antibióticos

Microrganismo preservado em caverna de gelo na Romênia se mostrou resistente a dez medicamentos modernos.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 21 fev 2026, 18h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h34
Cientistas descongelam bactéria de 5 mil anos – e ela tem resistência a antibióticos Priorizar nos meus resultados Google

A Caverna de Gelo de Scărișoara é considerada uma das maravilhas naturais da Romênia, com um visual que parece um verdadeiro palácio congelado. Subterrânea, ela tem mais de 700 metros de extensão, divididos em câmaras que receberam nomes como “Grande Salão” e “Igreja”.

Parte do gelo está ali há milhares de anos e mantém preservados microrganismos antigos capazes de sobreviver a ambientes extremos – e que ainda estão sendo estudados. 

Agora, pesquisadores do Instituto de Biologia de Bucareste extraíram um testemunho de gelo de 25 metros de profundidade no “Grande Salão” da caverna e analisaram alguns fragmentos. (Testemunhos ou núcleos de gelo são grandes cilindros de água congelada.)

As amostras foram armazenadas em sacos estéreis e transportadas com cuidado, visto que o gelo não poderia derreter por causa do risco de contaminação.

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No laboratório, os cientistas encontraram uma bactéria congelada por 5 mil anos. Ela foi batizada de Psychrobacter SC65A.3 e descrita em um artigo publicado nesta semana na revista científica Frontiers in Microbiology.

E a descoberta é ainda mais surpreendente: a bactéria anciã se mostrou resistente a antibióticos modernos.

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Após sequenciar seu genoma e identificar mais de 100 genes associados à resistência, os pesquisadores testaram a Psychrobacter SC65A.3 contra 28 antibióticos utilizados atualmente – e ela resistiu a 10 deles.

Alguns desses medicamentos incluem rifampicina, vancomicina e ciprofloxacino, usados no tratamento de doenças bacterianas graves, como tuberculose e colite. Trata-se também da primeira bactéria do gênero Psychrobacter identificada como resistente à trimetoprima, clindamicina e metronidazol. Algumas das espécies desse grupo podem, raramente, causar infecções em humanos.

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A resistência bacteriana a antibióticos é hoje um dos maiores problemas de saúde pública do mundo. Ela dificulta tratamentos e pode levar à morte de pacientes.

Essa resistência é um fenômeno natural e anterior à existência dos antibióticos modernos, causada por mutações aleatórias que inibem algum mecanismo de ação dos medicamentos (que, muitas vezes, são derivados de substâncias produzidas por fungos ou mesmo outras bactérias). No entanto, o alto uso dos fármacos na atualidade aumenta a seleção dessas características e favorece a resistência entre esses micróbios.

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Mais do que ampliar o conhecimento sobre a evolução bacteriana, a descoberta também revela um risco ambiental. O degelo impulsionado pelas mudanças climáticas pode liberar microrganismos resistentes aos antibióticos que utilizamos, com resultados potencialmente graves para humanos ou ecossistemas.

Mas nem tudo é negativo. A Psychrobacter SC65A.3 pode também ter aplicações promissoras na biotecnologia. Os pesquisadores acreditam que estudar seus genes pode ajudar a entender como a resistência a antibióticos evoluiu e também a combater as superbactérias, talvez ajudando a criar novos antibióticos.

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Há cerca de 600 genes presentes na bactéria que ainda têm funções desconhecidas, um vasto campo para futuras pesquisas.

O que são as “substâncias eternas” e quais os seus perigos?

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