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Cientistas do Museu Nacional participam da descoberta de novo pterossauro

Fóssil de réptil voador que viveu há 95 milhões de anos sugere que esses animais eram muito mais diversificados do que se pensava.

Por A. J. Oliveira - 5 dez 2019, 15h03

Uma equipe internacional de pesquisadores acaba de publicar um artigo que muda o que os cientistas sabiam sobre os pterossauros. E o estudo contou com a colaboração de um trio de especialistas brasileiros.

Por 95 milhões de anos, um espécime até então desconhecido  ficou soterrado sob as rochas calcárias de uma pedreira particular no Líbano. Até que, 15 anos atrás, foi encontrado e hoje é mantido no Museu de Mineralogia (o MIM) da Université Saint-Joseph de Beirute. Veio daí o nome da nova espécie — Mimodactylus libanensis. O animal não era lá muito grande, com cerca de 1,32 metro de envergadura da ponta de uma asa até a outra.

Na época em que ele viveu, durante o Cretáceo Superior, o mundo era muito diferente do que conhecemos hoje. Oriente Médio e África eram grudados em um único supercontinente, e também não havia o Mar Mediterrâneo, mas sim o Mar de Tétis. Era sobre essas águas marinhas rasas, repletas de recifes de corais e de lagoas, que o M. libanensis levava sua vida. Essa área alagada era vasta, ligando as atuais Europa, África e Oriente Médio ao Sudeste Asiático. Tanto que a nova espécie era aparentada com os pterossauros da China.

Com focinho largo e dentes pontiagudos, o bicho usava suas asas compridas e estreitas para fazer voos rasantes sobre as águas e capturar suas presas na superfície, não tão diferente das atuais aves marinhas como o albatroz e a fragata. Só que o prato preferido da espécie era um pouco exótico: crustáceos. Isso era raro entre os pterossauros.

Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional desde fevereiro de 2018 e primeiro autor do artigo publicado na última sexta (29) na revista científica Scientific Reports, explica a importância do estudo. “A descoberta de Mimodactylus libanensis expande o espectro de possíveis estratégias alimentares em pterodáctilóides, grupo de fascinantes répteis voadores sobre os quais ainda sabemos muito pouco”, afirma o paleontólogo austro-brasileiro, em comunicado.

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Também participaram da pesquisa Borja Holgado, que faz doutorado em zoologia no Museu Nacional, e a paleontóloga Juliana Sayão, pesquisadora colaboradora da mesma instituição, além de cientistas da Universidade de Alberta, no Canadá.

Kellner ressalta que fósseis de pterossauros, os primeiros vertebrados a adquirir a capacidade de voar, ainda são raros no continente africano. “Aqui nós descrevemos o material mais bem preservado desse grupo de répteis voadores descoberto até agora nesse continente, lançando uma nova e muito necessária luz na história evolutiva dessas criaturas.”

Pterossauros são parentes próximos dos dinossauros. Mas não se sabe ao certo quão próximos devido a uma lacuna paleontológica: falta achar um fóssil que sirva de elo entre os dois grupos. Mas uma coisa o novo estudo deixou bem claro — a surpreendente diversidade desses animais. “Era muito maior do que podíamos ter imaginado, e é provavelmente ordens de magnitude mais diversa do que poderemos descobrir através do registro fóssil”, aponta o paleontólogo Michael Caldwell, da Universidade de Alberta, e co-autor do estudo.

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