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Cientistas encontram pegadas de répteis pré-históricos em pedra no Grand Canyon

As marcas remontam a 313 milhões de anos atrás, período anterior ao surgimento dos dinossauros.

Por Carolina Fioratti - 26 ago 2020, 18h28

O que era para ser apenas uma excursão no Parque Nacional do Grand Canyon, nos EUA, tornou-se palco de uma descoberta arqueológica. Em 2016, o geólogo norueguês Allan Krill estava fazendo uma trilha com alguns estudantes quando observou as pegadas em uma pedra. Ele logo enviou uma foto ao seu colega Stephen Rowland, paleontólogo da Universidade de Nevada, que agora descreveu o achado em um estudo publicado na revista científica Plos One.

Não é difícil encontrar tal tipo de rastro no Grand Canyon, mas este guardava algumas especificidades. De acordo com os pesquisadores, as marcas pertencem a um réptil que viveu no local há 313 milhões de anos, sendo as pegadas fósseis de vertebrados mais antigas já encontradas no parque. E não para por aí: o registro é também o mais antigo já feito de animais amniotas, que colocavam ovos com casca, vivendo em dunas de areia. Evidências anteriores remontavam a fósseis oito milhões de anos mais novos.

No passado, a região do Arizona era uma planície costeira e repleta de dunas de areia. Emily Waldman/Divulgação

A pedra se soltou da Formação Manakacha, um grande afloramento de arenito do Grand Canyon. As marcas provavelmente se formaram após o animal passar pelo local e suas pegadas serem umidificadas devido ao clima, sendo posteriormente cobertas pela areia, que preservou o fóssil. A rocha estava visível no parque há um certo tempo, mas nenhum olhar atento havia notado o registro até então.

Os pesquisadores notaram duas trilhas de pegadas diferentes na pedra, pertencendo, provavelmente, a dois animais que passaram pelo local em momentos distintos. Nos sinais mais evidentes, os cientistas descreveram uma marcha de sequência lateral. O réptil colocava a pata posterior esquerda, depois a anterior esquerda, então a posterior direita e por fim a anterior direita. 

Pesquisadores descrevem o caminhar do réptil como uma “marcha de sequência lateral”. Stephen M. Rowland/Divulgação

“As espécies vivas de tetrápodes – cães e gatos, por exemplo – costumam usar uma marcha de sequência lateral quando andam devagar”, disse Rowland em comunicado. O paleontólogo explicou que é a primeira vez que este tipo de caminhada é descrita para animais que viveram ainda no início da história dos vertebrados.

Apesar de ser um réptil, não se sabe ao certo a qual espécie pertence o fóssil. Os cientistas dizem que há certa semelhança no formato das patas com o Chelichnus, um grupo de fósseis do período Permiano encontrado na Escócia. Por outro lado, pode ser que a espécie que passou pelo Grand Canyon nunca tenha sido registrada na literatura.

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