🔥 Mês do Cliente: Revista Impressa + Digital Premium por R$ 12,99/mês!

Cocô fossilizado de 700 mil anos revela que esquilos comiam mamutes

Cientistas estudam o DNA encontrado nas amostras de cocô colhidas de túneis no permafrost canadense

Por Bela Lobato 23 jun 2026, 16h00
Cocô fossilizado de 700 mil anos revela que esquilos comiam mamutes Priorizar nos meus resultados Google

No começo do século 20, exploradores descobriram que havia muito mais do que ouro nos morros de Yukon, no Canadá. A terra congelada revela fósseis espetaculares: peles preservadas de mamutes, ossos de tigres-dente-de-sabre e outros animais extintos há milhares de anos. 

O solo também escondia muitos túneis e tocas subterrâneas de esquilos pré-históricos, mas eles estavam lotados de cocô. Com tantos outros achados interessantes por perto, ninguém deu muita atenção. Agora, com os avanços nas tecnologias científicas de pesquisa de DNA, pesquisadores voltaram a procurar pelos cocôs fossilizados de Yukon.

Talvez você nunca tenha parado para pensar que todos os seres vivos da Terra têm DNA – incluindo vegetais, fungos, animais grandes e minúsculos. Quando comemos, o DNA de vários seres vivos vai parar na nossa pança. E, a depender do impacto dos processos digestivos na integridade dos alimentos, pode ser possível obter detalhes da dieta de alguém a partir de amostras de… excrementos.

Lobos pré-históricos de “Game of Thrones” foram desextintos? Entenda

Continua após a publicidade

Ao estudar as bolinhas de cocô de esquilos-do-ártico (Urocitellus parryii) que viveram entre 300 mil e 700 mil anos atrás, pesquisadores constataram que eles tinham uma dieta diversificada. Em geral, eles são animais de alimentação oportunista: comem plantas, fungos, insetos e, tendo a chance, até carne. 

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Nature Communications e apontam que, nos cocôs, havia amostras de DNA de mamutes, bisões e tigres-dente-de-sabre.

Continua após a publicidade

Parece um roteiro da franquia de filmes a Era do Gelo: com uma armadilha engenhosa, um pequeno esquilo vence as adversidades de uma terra congelada e consegue abater um mamute milhares de vezes maior que si. Ele e os amigos esquilos fazem um banquete alegre – e, se a franquia fosse outra, eles poderiam até cantar para comemorar.

Mas a realidade, é claro, provavelmente foi bem diferente. É mais provável que os animais se alimentassem de carcaças, talvez em busca do precioso cálcio encontrado nos ossos.

Continua após a publicidade

“Os esquilos hibernam por cerca de oito meses do ano, e nos quatro meses em que estão conscientes, eles realmente precisam sair, comer e trazer o máximo de recursos que conseguirem para dentro da toca”, disse Tyler Murchie, coautor do estudo, em entrevista ao New Scientist.

O DNA dos excrementos também permitiu identificar os genomas de 18 outras espécies, incluindo cavalos e lobos-cinzentos. Com o recente aquecimento global, o permafrost de várias regiões está derretendo e revelando verdadeiras cápsulas do tempo dos ecossistemas antigos.

Continua após a publicidade

Os pesquisadores correm para estudar e preservar o máximo possível. Afinal, essas informações revelam como foi a vida na Terra ao longo do tempo, e podem ser parte importante de estudos sobre o clima, a biologia e a ecologia atuais.

“Às vezes, a ciência é melhor quando pega algo comum, estranho ou até engraçado, e mostra que aquilo guarda uma história muito maior”, disse Murchie em entrevista ao Popular Science. “Nesse caso, cocô de esquilo pode acabar sendo uma janela para o tempo muito distante, mudanças climáticas, extinções, evolução e ecossistemas que não existem mais.”

Continua após a publicidade
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com uma árvore estilizada em verde-claro ao ladoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo O mês é do cliente. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).