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Como a vida de Marie Curie pode inspirar a sua

"Precisamos ter perseverança e confiança em nós mesmo. Precisamos acreditar que temos talento para alguma coisa e que essa coisa pode ser atingida"

Por Salvador Nogueira - Atualizado em 9 abr 2017, 14h03 - Publicado em 7 abr 2017, 18h55

Nunca deixe que ninguém diga o que você pode ou não fazer, o que você deve ou não fazer. A história de Marie Curie mostra como é importante buscar as suas ambições  e manter-se firme no curso, a despeito de tudo que aconteça para tentar tirar você dele. A palavra-chave é empoderamento, e nada poderia definir melhor essa grande cientista. Mesmo sem dinheiro e prestígio,  num mundo que se recusava a deixá-la exercer seu papel como intelectual, ela batalhou, até prosperar. E como prosperou.

Trata-se de uma grande heroína da causa feminista. Passou a vida inteira ouvindo que mulheres não fazem isso, mulheres não podem aquilo, não devem aquilo outro, e terminou fazendo o que homem nenhum até o momento havia feito: conquistar dois Prêmios Nobel.

Se você parar para pensar que muitos cientistas passam a vida inteira correndo atrás de um desses, o fato de ela ter ganhado dois é estonteante. E demonstra a importância da fibra de Marie Curie, algo que ela decerto adquiriu desde pequena, vivendo em meio a pais inquiridores e combativos. A opressão que ela viu acontecer à Polônia nas mãos da Rússia ajudou a moldar seu caráter e fez com que qualquer argumento de autoridade caísse por terra quando se interpunha em seu caminho.

E um aspecto importantíssimo é que Madame Curie jamais chegou aonde chegou tentando emular o comportamento masculino. Não lançou mão de ser uma mulher-homem para vencer num mundo que até então era província exclusiva dos homens.

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Foi mãe com convicção, e criou as filhas com a mesma mentalidade com que formou seu próprio caráter. “Eu fui frequentemente questionada, especialmente por mulheres, sobre como eu podia reconciliar a vida familiar com uma carreira científica”, ela disse, certa vez. “Bem, não foi fácil”, completou, reconhecendo os desafios que as mulheres têm de fazer para equilibrar carreira e família.

Generosa e preocupada, ela tinha a empolgação pueril de revelar os segredos da natureza e a convicção de que a ciência tinha muito mais a dar ao ser humano do que a tirar dele.

O que mais a irritava, na verdade, era ser o tempo todo rotulada pelo seu gênero – fosse para recriminá-la ou para admirá-la. No fundo, ela queria apenas ser vista como mais um cientista, ou melhor, mais um ser humano, buscando seu espaço e exercendo sua capacidade intelectual da melhor maneira possível.

Marie Curie não ligava para títulos, não suportava falsidade e odiava fofocas – algo da qual, naturalmente, fora vítima a vida toda. “Seja menos curioso sobre as pessoas e mais curioso sobre ideias”, ela dizia.

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Apesar da tristeza de ter morrido por conta dos riscos envolvidos no estudo da radioatividade, não há dúvida de que Marie Curie morreu como viveu – de forma intensa e fazendo aquilo que gostava e no que acreditava. Mais que isso: provou à sua geração e às gerações seguintes que as mulheres nada tinham a dever aos homens na empolgante busca pelo conhecimento.

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