OFERTA 10.10! Revista impressa com o MENOR PREÇO DO ANO! 🤑 Assine agora!

Conheça o novo caranguejo descoberto no Pico da Neblina, na Amazônia

Um dos pontos mais isolados do Brasil, localizado em terras yanomami, abriga um grupo até então desconhecido de caranguejos de água doce.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 16 Maio 2026, 18h00
Conheça o novo caranguejo descoberto no Pico da Neblina, na Amazônia Priorizar nos meus resultados Google

O ponto mais alto do Brasil é o Pico da Neblina, na Serra do Imeri, no Amazonas, bem na fronteira com a Venezuela. O local se tornou uma unidade de conservação com mais de dois milhões de hectares, chamada Parque Nacional do Pico da Neblina. Parte da região é território Yanomami, e seu acesso é restrito e difícil – é preciso de apoio de guias indígenas, longas caminhadas na mata e algumas boas horas de barco. 

Além da altitude, a região chama atenção pela rica biodiversidade, que ainda foi pouco investigada pela ciência. O solo pouco fértil e as grandes oscilações de temperatura são condições únicas que abrigam espécies distintas, muitas delas endêmicas (ou seja, que só existem por lá). Estima-se que, nas áreas mais elevadas da serra, uma parte considerável das espécies ainda não tenha sido descrita por cientistas.

Em 2022, um grupo de pesquisadores do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) realizou uma expedição científica no Parque Nacional do Pico da Neblina. A equipe estava em um riacho coletando girinos quando, de repente, se deparou com três caranguejos pouco familiares. Eles estavam a 1.730 metros de altitude (a título de comparação, um edifício de 10 andares tem cerca de 30 metros de altura).

Os animais (duas fêmeas e um macho) foram levados ao Museu de Zoologia da USP, em São Paulo, que abriga uma das coleções de crustáceos mais diversas da América Latina.

Continua após a publicidade

Novo estudo indica que lagostas sentem dor

Lá, a equipe prosseguiu as investigações – e o caranguejo macho foi essencial para entender a espécie. A estrutura reprodutiva singular desses indivíduos é utilizada em estudos taxonômicos para distinguir com mais facilidade uma espécie de caranguejo da outra. Os machos possuem um apêndice abdominal modificado, com função reprodutiva, chamado de gonópodo.

Inicialmente, os pesquisadores acreditavam que os animais eram de uma nova espécie pertencente ao gênero Microthelphusa. Mas, após uma série de análises morfológicas e genéticas, perceberam que os exemplares apresentavam características únicas. A conclusão foi surpreendente: não se tratava apenas de uma nova espécie de caranguejo de água doce, mas de um gênero inteiramente inédito para a ciência.

Continua após a publicidade

Os animais pertencem à família Pseudothelphusidae, grupo já bastante conhecido de caranguejos de água doce encontrados em regiões montanhosas da América do Sul. Documentar novas espécies nesse tipo de ambiente é algo relativamente comum; entretanto, encontrar um novo gênero como esse é raro.

A descoberta foi descrita em um estudo publicado no periódico científico Zootaxa. O novo gênero recebeu o nome Okothelphusa. “Oko” significa “caranguejo” em yanomami, enquanto “thelphusa” vem do grego antigo e é usado para designar caranguejos de água doce. Já a espécie foi batizada de trefauti, em homenagem ao pesquisador Miguel Trefaut, líder da expedição. O nome completo do animal é, portanto, Okothelphusa trefauti.

Continua após a publicidade
Grupo de 18 pessoas, incluindo homens e mulheres de diversas idades, sorrindo e posando para foto em trilha montanhosa. Vestem roupas e botas de trekking, alguns com capas de chuva. Um homem de azul está sentado em uma rocha ao fundo. O cenário é de vegetação rasteira e rochas, com céu nublado
(Miguel Trefaut da USP/GOV/Divulgação)
Continua após a publicidade

Eles ainda estão sendo estudados, mas já sabemos algumas informações valiosas sobre seu comportamento. Apesar de terem sido encontrados em um riacho, esses caranguejos não vivem submersos. Na verdade, possuem hábitos terrestres e costumam rastejar por áreas úmidas próximas a rios. Sua dieta inclui invertebrados terrestres e aquáticos, como larvas de insetos.

Os pesquisadores também observaram que a espécie não possui fase larval, o que limita sua dispersão. Por isso, a hipótese é que ela seja endêmica da região do Pico da Neblina.

O trabalho também levou à revisão de espécies venezuelanas semelhantes, que podem se encaixar melhor no novo gênero. Até agora, duas espécies já foram reclassificadas: marahuacaensis e guaiquinimaensis, antes atribuídas ao gênero Microthelphusa.

Continua após a publicidade
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas

ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ESQUENTA 10.10

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).