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Cores que um lagarto pode assumir dependem de seu habitat

Fatores ambientais como o solo e vegetação influenciam na capacidade de camuflagem

Não há dúvidas que a habilidade de trocar de cor a partir de estímulos do ambiente é uma grande vantagem adaptativa. Ela pode servir para regular a temperatura corporal, na comunicação com potenciais parceiros ou, ainda, na fuga de predadores. No entanto, não é como se, colocado em uma superfície coberta de neve, um lagarto do deserto imediatamente simulasse uma aparência branca. A capacidade de camuflagem que esses animais possuem, bem como a paleta de cores eles que têm disponível, obedecem os limites de seu habitat. É o que propõe uma pesquisa da Universidade de Melbourne, na Austrália, publicada na revista científica Journal of Experimental Biology.

As diferentes colorações de répteis são possibilitadas pelos pigmentos que as células de sua pele contêm. Alguns deles, no entanto, vão além, rearranjando as estruturas cristalinas dessas células para alterar o ângulo em que a luz incide. A partir disso, o bicho troca de cor. O que a pesquisa sugere, porém, é que esse processo não seria exclusivamente fruto da necessidade de mudar, mas também de resposta hormonal.

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Os pesquisadores analisaram uma espécie australiana de lagarto (Pogona vitticepis), conhecida popularmente como “dragão barbado” ou “pogona”. Ao todo, foram 22 indivíduos: metade natural de Alice Springs, região central da Austrália, e o restante de Mildura, ao sul do país. Eles tiveram três meses para se adaptar aos solos vermelho, amarelo e preto – coberturas com as quais não estavam acostumados. Depois do período, foram isolados em compartimentos para terem as cores observadas.

As colorações que cada um dos animais apresentou com maior precisão se associavam ao seu local de origem. Os lagartos de Alice Springs, região de solo vermelho, eram mais capazes de se aproximar de tons avermelhados. O solo amarelo de Mildura, por sua vez, era mais facilmente notado na pele dos animais originários da região. Eles também se deram melhor na camuflagem no solo preto. Segundo os pesquisadores, isso pode se justificar pela vegetação do sul australiano – constituída por árvores altas, que formam mais regiões de sombra.