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Criadora do Viagra compra fabricante do Botox; veja a origem inusitada dos medicamentos

A Pfizer, que fabrica o Viagra, comprou a Allergan, que faz o Botox, em um acordo multibilionário —US$ 160 bilhões, precisamente

Por Ana Luísa Fernandes Atualizado em 4 nov 2016, 19h02 - Publicado em 23 nov 2015, 17h15

A operação é a maior no setor de cuidados com a saúde e a segunda maior da históri: a primeira foi a fusão da Mannesmann com Vodafone, na área de telecomunicação, com US$ 171,9 bilhões. Viagra e Botox têm em comum o fato de serem medicamentos blockbuster —mais de um milhão de pessoas já utilizaram o Botox ao redor do mundo e, só no Brasil, foram vendidos 114 mihões de comprimidos de Viagra em 15 anos. Também dividem as origens inusitadas – ambos tinham propósitos originais bem diferentes do que acabaram se tornando.

O citrato de sildenafila, mais conhecido como Viagra, foi sintetizado e estudado inicialmente para cuidar da hipertensão e da angina, um tipo de doença cardiovascular. Os pesquisadores da Pfizer perceberam que o composto não tratava as doenças com eficácia, mas que induzia ereções em homens que duravam de 30 a 60 minutos, graças à irrigação sanguínea no pênis. Atenta ao potencial da descoberta, a empresa farmacêutica patenteou o produto em 1996, e, dois anos depois, ele era aprovado pela FDA, órgão que regula os remédios nos Estados Unidos. Se você acha que a pílula azul funciona só para os humanos, está enganado: ela também ajuda a manter flores em pé, evitando que elas murchem, durando até uma semana a mais. O óxido nítrico, presente no medicamento, também é utilizado pelas plantas.

A toxina botulínica, mais conhecida pela marca Botox, só foi descoberta através de uma doença, o botulismo. O botulismo é um tipo de intoxicação alimentar, causada por uma toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, que fica em solos e alimentos. Essa toxina é capaz de paralisar os músculos do corpo todo, o que pode levar à morte. No Botox, ela é utilizada em pequenas quantidades, mas o princípio é o mesmo da doença: a acetilcolina, que conecta o cérebro aos músculos, é bloqueada. Isso significa que o músculo não recebe a mensagem para contrair, o que auxilia a suavização de rugas. Mas o seu primeiro uso não foi estético. No final dos anos 60, um oftalmologista norte-americano procurava um tratamento não cirúrgico para o estrabismo, e descobriu na toxina botulínica uma boa alternativa. Depois, um casal de médicos canadenses, Jean e Alastair Carruthers, oftalmologista e dermatologista, notaram que alguns dos pacientes que faziam tratamento com a toxina apresentavam menos rugas. A partir daí ela começou a ser utilizada como cosmético.

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