Clique e assine a partir de 8,90/mês

“Dá para treinar qualquer bicho”

Alexandre Rossi, o Dr. Pet, já ensinou abelha a achar mel, morcego a voar e sua cadela a usar Skype - é a Estopinha, celebridade virtual. Zootecnista e mestre em Psicologia, diz que todo animal pode ser adestrado: basta saber o que ele quer em troca.

Por Taísa Szabatura - Atualizado em 31 out 2016, 18h32 - Publicado em 22 jul 2014, 22h00

Você treinava seus animais de estimação?

Fui influenciado por meus pais, um psicanalista e uma bióloga. Desde pequeno, eu já tentava treinar aranhas e peixes.

É possível treinar qualquer animal?

Basta entender o que ele quer em troca. Sem dar algo para receber outra coisa no lugar, não há aprendizado. Todos têm limitações, mas com o condicionamento clássico é possível fazer muita coisa. Até com insetos.

Continua após a publicidade

Insetos?

Já treinei abelhas para encontrar mel em um apiário, utilizando cores e formas geométricas. Se você coloca mel no triângulo azul, ela segue a sinalização para encontrar o doce. As abelhas são muito espertas: reconhecem faces em fotografias.

Qual foi o animal mais difícil de treinar?

Na Austrália, trabalhei em um parque que devolvia animais à natureza. Ensinei um morcego gigante a voar. Foi um desafio, mas deu certo.

Continua após a publicidade

O que você acha do César Millan, do programa O Encantador de Cães?

Nossas experiências são diferentes. Eu tive uma formação mais científica. [Rossi é formado em Zootecnia e é mestre em Psicologia pela USP, com especialização na Universidade de Queensland, Austrália.] Ele teve a experiência de conviver com diversos animais. Mas ele faz algo que eu acho muito legal: incentiva que os animais passeiem, se movimentem, façam exercícios. Isso modifica muito a vida dos bichinhos. Vale a pena insistir.

Qual a diferença entre o raciocínio humano e animal?

Nós temos a capacidade de pensar a longo prazo, analisar situações e falsificar emoções. Isso é impossível para os bichos. Os bichos não conseguem manipular ou mentir, por exemplo. Eles só pensam no imediato, na recompensa e na punição.

Continua após a publicidade

Donos dizem que seus cachorros adquirem suas personalidades. Faz sentido?

É uma relação de influência mútua. Já foi demonstrado que um esportista vai procurar um cão que goste de se exercitar, enquanto uma idosa vai procurar um bicho mais tranquilo. Mas, claro, o dono influencia muito, mais do que um pai influencia um filho. Enquanto uma criança se relaciona com diversas pessoas, o cachorro geralmente fica sozinho, condicionado ao dono ou ao ambiente familiar.

Sua cadela, a Estopinha, ficou famosa no Facebook por usar o Skype [programa de teleconferência]. Como você ensinou ela a fazer isso?

Como viajo muito, criei uma engenhoca para a gente se comunicar. Ela aperta um botão, recebe um petisco e consegue abrir o Skype. O bacana é que ela adorou. Às vezes estou em casa e mesmo assim ela vai ao computador. Ela está sempre aprendendo algo novo e até já sabe que é uma celebridade. Quando estou numa palestra, ela sabe que os aplausos são para ela. As pessoas nos encontram na rua e vão direto interagir com ela.

Continua após a publicidade

Veja as peripécias da Estopinha: facebook.com/estopinha

Publicidade