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De perto, ninguém é normal

Escamas de peixe, patas de inseto, moléculas cristalizadas - há um mundo espetacular que a visão humana não consegue captar. Mas ele explode em cores e formas nas fotos do biólogo francês Jean-Pierre Saunier, que você vai ver nas páginas seguintes

Estas são as foices da morte da aranha (Tegenaria atrica). Armas formidáveis, elas estraçalham qualquer mosca que pouse na teia. São, na realidade, as duas quelíceras do aracnídeo, órgãos semelhantes a antenas, localizados na cabeça

O ferão da abelha
As cores vermelhas sobre a lâmina fazem pensar numa faca afiada, que acabou de ser usada numa luta. Nada disso.
A cor é só efeito da iluminação do microscópio sobre um ferrão de abelha, ampliado 150 vezes

O escargot, caracol tão apreciado pela culinária francesa, num ângulo inusitado: closes de regiões diferentes da sua língua

Na foto menor, a imagem foi aumentada apenas cinquenta vezes, mas já é possível observar centenas das escamas que formam as asas. Acima, o microscópio ampliou a mesma asa duzentas vezes: o que se vê, embora não pareça, é todo o colorido de uma única escama.

As asas da borboleta
No microscópio, as asas das borbolhetas lembram o telhado de uma casa.
Mas as formas que parecem as telhas são minúsculas escamas. Se ampliarmos a imagem 150 vezes, como na foto abaixo, é possível distinguir cerca de quarenta delas

Os cristais do sulfato de cálcio refletem a luz como se fossem prismas


As cores das moléculas

0 ferro, no microscópio, mais parece as pedrinhas de um caleidoscópio


Dicas para amadores

Para começar, você deve ter uma máquina fotográfica com regulagem de exposição automática e um tubo adaptador (encontrado em lojas especializadas) para ligá-la ao microscópio – que, aliás, não precisa ser daqueles superpotentes. Com um microscópio capaz de ampliar a imagem 40 a 150 vezes, será possível produzir excelentes microfotografias, como as de asas de borboletas e as de escamas de peixes. O conceito de microfotografia, aliás, só pode ser aplicado quando se registram imagens que foram ampliadas, no mínimo, 40 vezes. No caso, as lentes do microscópio já têm a função da objetiva, como é chamada a lente principal da máquina. Cuidado apenas com a luminosidade: quanto maior a ampliação, maior a necessidade de luz para distinguir cores e formas. O ideal é regular a iluminação em cerca de 5 600 graus Kelvin (unidade usada para medir a luz). Esse valor costuma ser o da luminosidade natural, em locais ensolarados. Mas não arrisque: prefira sempre o flash.
Jean-Pierre Saunier