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Denisovanos, primos extintos dos sapiens, eram muito altos, revelam novos fósseis

Ossos do fêmur e da tíbia revelam novos detalhes dessa espécie misteriosa.

Por Amanda Nascimento 16 ago 2026, 18h05
Denisovanos, primos extintos dos sapiens, eram muito altos, revelam novos fósseis Priorizar nos meus resultados Google

Em 2008, arqueólogos encontraram um dente adulto, ossos do dedo mindinho de uma criança e outros fragmentos pré-históricos na caverna de Denisova, na Sibéria. 

Dois anos depois, em 2010, exames de DNA revelaram que esses restos fósseis de 40 mil anos não pertenciam a nenhuma espécie conhecida. Tratava-se da descoberta de um novo hominídeo, que compartilhava semelhanças com os neandertais e conosco, sapiens. Em homenagem à caverna onde foram encontrados, eles foram batizados de denisovanos.

Desde então, esses primos extintos têm sido um mistério para nós. Sabemos pouco sobre seus hábitos, suas feições, seus corpos, sua distribuição geográfica, seus fluxos migratórios e os motivos de sua extinção. 

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Esse mistério é culpa da escassez de fósseis: desde a primeira descoberta, apenas mais um crânio e alguns poucos dentes e fragmentos ósseos denisovanos foram encontrados.

Agora, uma nova pesquisa está ajudando a desvendar essa espécie. Um artigo disponibilizado no servidor bioRxiv, ainda em fase de revisão, descreve novos fósseis denisovanos – um fêmur e parte de uma tíbia, ambos ossos da perna, retirados do fundo das águas do Estreito de Taiwan. Os fósseis foram encontrados em 2010 e vêm sendo estudados desde então.

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A conclusão de que eles pertencem a indivíduos denisovanos veio por meio de análises de proteínas identificadas nos fragmentos.

A nova análise também sugere que os denisovanos estavam entre os hominídeos mais altos de sua época, sendo que um deles tinha 1,90 metro de altura (cerca de 15 centímetros a mais que a média dos homens brasileiros).

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Para efeitos de comparação, os neandertais tinham, em média, cerca de 1,68 metro de altura. Entre os Homo sapiens, a média é um pouco maior: em torno de 1,75 m para os homens e 1,68 m para as mulheres.

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As evidências sugerem que os denisovanos viveram em grande parte da Ásia, da Sibéria à China, até cerca de 30 mil anos atrás – ao lado de outros hominídeos como Homo sapiens, Homo erectus e Homo floresiensis.

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Hoje, algumas pessoas têm DNA herdado dos denisovanos, o que prova que nossa espécie cruzou com eles em vários momentos do passado.

Rastros desse cruzamento estão nos fósseis encontrados. Ainda que os ossos de suas pernas se assemelhem, no geral, aos de outros hominídeos arcaicos, eles também apresentam algumas pequenas características anatômicas em comum com o Homo sapiens.

Foi difícil para os pesquisadores determinar quais ossos pertenciam ao mesmo indivíduo e como eles se encaixavam em uma cronologia abrangente, já que os fósseis encontrados estavam misturados, e não em camadas sedimentares organizadas. 

Eles puderam concluir, porém, que o primeiro fóssil denisovano era do sexo masculino, pesava cerca de 83 kg e media aproximadamente 1,80 m de altura. O segundo, também provavelmente do sexo masculino, pesava 91 kg e media cerca de 1,90 m.

Para encontrar mais informações sobre a tíbia e o fêmur misteriosos, eles coletaram o colágeno ósseo para datar os restos por radiocarbono e buscaram pelo DNA antigo em seu interior. Pesquisadores também analisaram a composição química dos fósseis, que forneceu pistas sobre o ambiente em que os denisovanos viviam e o que comiam. 

Provavelmente, tratava-se de um ambiente de savana ou campos abertos, onde tinham acesso a muita proteína animal. Não foram encontrados indícios de que esses indivíduos consumissem alimentos de ambientes marinhos ou de água doce.

Outra surpresa trazida pelos fósseis é a idade deles. Em 2023, a estimativa dos autores para a idade dos ossos era de aproximadamente 160 mil anos. No entanto, as novas datações por radiocarbono sugerem que eles são muito mais recentes, com apenas cerca de 45 mil anos.

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