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Descoberto exoplaneta onde o ano dura 19,5 dias

Um terráqueo de 30 anos teria 561 se vivesse nele. Não que isso seja possível, já que a temperatura na superfície de lá é de 600 ºC

Mais um para uma longa conta: cientistas indianos descobriram um novo exoplaneta — aqueles que giram em torno de outro astro que não o Sol. Ele possui uma massa aproximadamente 27 vezes maior que a Terra, e orbita uma estrela semelhante ao Sol, a cerca de 600 anos-luz daqui. Mas ele está bem mais próximo de sua estrela que nós da nossa. E isso faz o ano por lá durar apenas 19,5 dias.

O nome do planeta é EPIC 211945201b, ou K2-236b. A proximidade com sua estrela hospedeira faz com que a temperatura da superfície seja de aproximadamente 600 graus Celsius — muito quente e seco para suportar as formas de vida que conhecemos. Veja no esquema a seguir:

 (ISRO/Reprodução)

 

A descoberta coloca a Índia no seleto grupo de países que confirmaram a existência de um planeta fora do nosso Sistema Solar. Na verdade, esse planeta já havia sido visto pelo telescópio espacial Kepler, da Nasa, mas foram os indianos que confirmaram sua categoria de planeta — não outro astro qualquer.

Para atestar isso, estudiosos do Laboratório de Pesquisa Física, em Ahmedabad, liderados por Abhijit Chakraborty, passaram cerca de um ano investigando. Eles estudaram as mudanças de luz que surgiam da estrela hospedeira do planeta e conseguiram realizar uma confirmação independente de sua massa, o que é essencial para a classificação como planeta.

“Nós relatamos aqui fortes evidências de um sub-Saturno [referência a um planeta gasoso semelhante a Saturno, mas um pouco menor] em torno do EPIC 211945201 e confirmamos sua natureza planetária”, explicou a equipe no Astronomical Journal da American Astronomical Society.

A Organização de Pesquisa Espacial Indiana (ISRO) há tempos vem dando grandes passos astronômicos: estabeleceu novos recordes para lançamentos de satélites e até colocou uma sonda em órbita ao redor de Marte. Agora descobriu um planeta. E tudo isso a preços incrivelmente baixos para os padrões.

Outro ponto importante de ressaltar é que essa descoberta pode ajudar os cientistas a entenderem como esses tipos de planetas se formam tão próximos a sua estrela hospedeira.