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É vestindo este traje que a primeira mulher pode chegar à Lua em 2024

Nasa mostra a nova geração de roupas espaciais, mais flexíveis e com mais recursos de comunicação, que irá equipar os astronautas das missões Ártemis

Eles estão eternizados no imaginário popular como maior distintivo da figura do astronauta. Sua aparência extravagante ajudou muito a cristalizá-los na mente das pessoas, disso não há dúvida. O traje espacial é absolutamente indispensável fora da Terra. Sem ele, um ser humano não consegue sobreviver aos rigores do espaço. A Nasa acaba de mostrar ao mundo suas novas roupas de astronautas — e elas são incríveis.

Em um evento realizado nesta terça (15) na sede da Nasa em Washington, especialistas da agência e o administrador Jim Bridenstine apresentaram os modelos de última geração que devem vestir a primeira mulher e o próximo homem a pisar na Lua. É um passo importante para viabilizar o programa Ártemis, sucessor da Apollo, que promete levar seres humanos de volta à superfície lunar em 2024. Os astronautas usarão os novos trajes espaciais.

São dois modelos: um laranja, mais leve e ideal para uso dentro das espaçonaves em momentos mais arriscados da missão, como na saída da Terra e no pouso na Lua; e outro branco, com detalhes em azul e vermelho e adaptado para fazer reparos no exterior das estações espaciais e, principalmente, para atividades em solo lunar. A Nasa não partiu do zero nesse trabalho: tem uma bagagem sólida de 60 anos na área.

O grosso da estrutura foi reaproveitado de trajes espaciais do passado, tanto da era Apollo, quanto dos ônibus espaciais e das atuais missões para a ISS. Mas a agência não poupou esforços em inovações para dar maior conforto e segurança a seus astronautas enquanto estiverem trabalhando e arriscando a própria pele a milhares de quilômetros de casa. No traje externo, o principal ganho foi para a mobilidade e flexibilidade dos movimentos.

Vídeos antigos dos anos 60 e 70 mostram bem como os tripulantes da Apollo penavam para caminhar na Lua com as roupas duras e pesadas. Para melhorar isso, a Nasa investiu em materiais avançados e mais maleáveis principalmente nas juntas como o joelho, nos quadris e nos ombros, para deixar os braços mais soltos. Até os pés dos membros do programa Ártemis vão doer menos. Suas botas terão estilo de trilha, com direito a sola mais mole.

Antes, os trajes espaciais da Nasa eram padronizados seguindo a lógica dos tamanhos das roupas normais que nós compramos: P, M ou G. Como cada corpo é único, a solução para o problema veio do departamento de “antropometria e biomecânica” da agência. Lá eles usam sensores para criar modelos 3D de cada membro e medida dos astronautas — assim dá para produzir as peças totalmente sob medida. A comunicação também foi melhorada.

O microfone no interior do capacete era meio desajeitado e nem sempre ficava na posição certa com a boca. Agora um sistema de captação bem mais sensível e abrangente foi embutido no próprio equipamento, facilitando a comunicação com companheiros de missão ao lado na Lua, dentro do Gateway, a estação espacial lunar que a Nasa quer construir, ou no centro de controle aqui na Terra. Esse traje foi batizado de xEMU.

Já a roupa laranja, chamada de OCSS, também tem algumas particularidades. Sua cor nada tem a ver com a seleção holandesa, mas tem uma razão de ser. Foi pensada para facilitar a identificação de astronautas no oceano, no caso de algum imprevisto durante o pouso. Muitas das melhorias nos materiais são parecidas. O traje alaranjado tem um foco muito grande em garantir a sobrevivência prolongada de quem o usa.

Seu sistema de suporte à vida permite que os tripulantes sobrevivam por seis dias à deriva no espaço, mesmo em caso de despressurização na cabine da cápsula Órion. Além disso, cada traje vem com objetos de emergência para sobreviver a um eventual pouso no oceano antes da equipe de resgate chegar. O kit inclui diversas luzes, refletores, espelhos e até um canivete. A primeira mulher a pisar na Lua estará elegante — e mais ágil do que nunca.