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Empresa levanta US$ 15 milhões para tentar ressuscitar espécie extinta há 4 mil anos

Equipe de cientistas e empresários pretende recriar o DNA do mamute-lanoso, usando parte do genoma do elefante asiático e criando híbridos dos mamíferos. Confira.

Por Luisa Costa 14 set 2021, 19h06

Uma empresa americana de biociência e genética anunciou na última segunda-feira (13) que levantou um investimento de US$ 15 milhões destinado a um projeto bastante ambicioso: trazer os mamutes-lanosos de volta à tundra ártica. Ou mais ou menos isso: o projeto pretende criar híbridos de mamutes, extintos há 4 mil anos, e elefantes asiáticos, que estão atualmente ameaçados de extinção. A empresa chamada Colossal foi fundada por Ben Lamm, um empresário de tecnologia e software, e George Church, um professor de genética de Harvard.

Segundo os responsáveis pelo projeto, recriar um animal semelhante ao mamute-lanoso representa avanços científicos relativos à chance de resgatar espécies extintas, mas também seria uma forma de combater as mudanças climáticas. Segundo os cientistas envolvidos no projeto, os dois mamíferos (o mamute-lanoso e o elefante asiático) apresentam 99,6% de semelhança genética.
O primeiro passo é identificar quais genes compõem a diferença entre os genomas e são, portanto, responsáveis por características específicas dos mamutes – como o pelo, as camadas de gordura e outras adaptações ao clima frio.

Os cientistas afirmam que esse primeiro passo já é um “enorme desafio a ser superado”, mas é possível fazê-lo a partir das tecnologias atuais da engenharia genética, como a CRISPR. Após identificar esses genes, os cientistas pretendem transformar células da pele de elefantes asiáticos em células tronco e editá-las para que carreguem genes do mamute – que foram encontrados em restos mortais do mamífero preservados pelo permafrost.

Se esses processos correrem bem, seria possível criar embriões de mamutes-elefantes. Os cientistas pretendem que, em seguida, os embriões se desenvolvam em um útero artificial. Mas Church afirmou à CNN que essa tecnologia está longe de ser estabelecida e ele não descarta o uso de elefantes vivos como substitutos. O objetivo da equipe é ter os primeiros filhotes nos próximos quatro a seis anos.

Mudanças climáticas

Segundo a Colossal, os híbridos de mamute poderiam ajudar a combater o avanço das mudanças climáticas trazendo de volta a vegetação original das tundras – que hoje estão cobertas por musgos em algumas regiões. Pisoteando a grama para lá e para cá, os mamutes-elefantes ajudariam a manter a terra congelada metros abaixo da superfície e a desacelerar o degelo do permafrost, por exemplo.

Mas muitos cientistas estão céticos, não só sobre a possibilidade da Colossal criar híbridos, mas também sobre as vantagens em trazê-los à tundra. Alguns também levantam questões éticas: quem decide, por exemplo, se os híbridos podem ser levados à natureza, possivelmente mudando os ecossistemas das tundras? E seria correto utilizar elefantes vivos para o desenvolvimento dos embriões, caso a possibilidade de úteros artificiais falhe?

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