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Estudantes encontram ruínas da Roma Antiga durante ocupação de escola

As estruturas excepcionalmente conservadas foram encontradas quando estudantes bisbilhotavam o porão do Liceu Cavour

Por Bela Lobato 9 jun 2026, 19h00
Estudantes encontram ruínas da Roma Antiga durante ocupação de escola Priorizar nos meus resultados Google

Em janeiro de 2021, no auge da segunda onda de casos da pandemia de Covid-19, alunos de toda a Itália organizaram dezenas de protestos contra o ensino remoto. Eles argumentavam que o ensino à distância estava causando graves danos psicológicos às crianças e gerando desigualdades educacionais, e criticavam o governo por não ter preparado adequadamente as escolas para uma reabertura presencial segura.

Como muitos outros, os alunos da escola Liceu Cavour, em Roma, resolveram ocupar a escola e passar noites acampados, em protesto. Bisbilhotando áreas que geralmente são restritas, no porão eles encontraram vestígios que confirmavam um antigo boato: o de que a escola teria sido construída em cima de uma villa da Roma Antiga. 

Não era impossível, muito menos improvável: a escola fica bem perto do Coliseu, o monumento de quase 2 mil anos. Localizado no centro de Roma, o bairro já abrigou propriedades pertencentes a figuras centrais do final da República Romana. Os pesquisadores conhecem a história dessa área residencial a partir de registros escritos que sobreviveram ao tempo – diferentemente das construções, que são bem mais raras porque foram danificadas ao longo das mudanças da cidade.

Quando as aulas voltaram, os alunos contaram sobre seus achados à professora de história e latim, Claudia Marino. Ela já havia ouvido o boato, mas não dera importância. Dessa vez, levou a sério.

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Corredor subterrâneo escuro e úmido com teto abobadado de tijolos. As paredes de tijolos brancos estão descascadas e manchadas, com lixo e tábuas de madeira espalhados pelo chão de terra batida. Uma mancha amarela vibrante se destaca na parede direita, enquanto o fundo do corredor é quase totalmente escuro, com uma pequena abertura arqueada visível
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“Encontramos a chave, entramos e estávamos em uma antiga sala de caldeiras abandonada”, conta Marino, em entrevista ao London Times. “Além dela, havia antigas paredes romanas.” Ao passarem por uma abertura, eles se viram em uma antiga villa adornada com afrescos e revestimentos decorativos.

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Ao contrário do que o nome sugere, as villas romanas não eram pequenos bairros rurais. O nome se refere a casas de campo exuberantes, que podiam ser o centro de pequenos núcleos de agricultura.

Interior de uma escavação arqueológica com duas aberturas em arco na parede de tijolos e terra, iluminadas por um tripé com duas luzes fortes. O chão é de terra e pedras soltas, e a parede superior tem vestígios de pintura avermelhada e amarelada
(Cantieri Narranti/Reprodução)
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Debaixo da escola há uma domus, uma residência privada que data de meados do século 2 d.C, ou seja, há 1800 anos. Nessa época, imperadores romanos lendários, como Adriano e Marco Aurélio, governavam vastas extensões de território na Europa, Ásia e África. 

Romanos usavam fóssil de trilobita como joia

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Marino levou a descoberta ao conhecimento da Superintendência Especial de Roma, uma agência governamental encarregada de preservar o patrimônio cultural da capital italiana. As escavações no local começaram em setembro de 2025, e os arqueólogos apresentaram suas descobertas ao público em um evento em 28 de maio.

Os cômodos da villa são quase todos subterrâneos, e estão excepcionalmente bem preservados. Um dos cômodos tem um mosaico de grandes azulejos de diferentes formas, um estilo que era popular na época. Outro espaço é decorado com desenhos florais e representações de figuras humanas.

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Interior de uma estrutura antiga com paredes vermelhas e amarelas descascadas, revelando concreto cinza e buracos. No chão, há entulho de pedras e escombros. A parede central exibe a pichação WAK UP em vermelho
(Cantieri Narranti/Reprodução)

Muitos artefatos de uso cotidiano também foram encontrados, como uma ânfora (um recipiente usado para armazenar azeite, vinho e outros produtos) e copos que datam de períodos posteriores da história romana. Os achados encheram 48 caixas dos pesquisadores.

Interior de uma estrutura antiga com teto abobadado de tijolos e paredes de argamassa desbotada. Há duas abóbadas com detalhes em relevo e parte do reboco descascado, revelando a estrutura interna. O chão é de terra com entulho de pedras e argamassa, sugerindo um local em ruínas ou em escavação
(Cantieri Narranti/Reprodução)

Não foi a primeira vez que essa villa foi “descoberta”. Em 1895, parte dela foi revelada durante as obras de uma estrada, mas o local caiu no esquecimento. Nas paredes, há ainda pichações do período entre 1920 e 1950 e outras mais recentes.

Teto abobadado de um túnel subterrâneo com a pintura vermelha descascando e revelando concreto e tijolos. Há pichações em preto e vermelho, e uma grade de metal enferrujada na parte inferior
(Cantieri Narranti/Reprodução)

As escavações ainda não revelaram toda a estrutura, que pesquisadores acreditam que seja muito maior. A intenção é completar as descobertas e tornar o local público para estudantes e turistas.

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