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Eventos de El Niño ficaram quase 40% mais intensos nos últimos 40 anos, revela estudo

Enquanto um evento "muito forte" é previsto para 2026, estudo com corais sugere que aquecimento global está tornando o fenômeno ainda mais extremo.

Por Amanda Nascimento 30 ago 2026, 19h58 | Atualizado em 2 set 2026, 15h00
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Um El Niño de proporções históricas está ganhando forma no Oceano Pacífico desde o início de junho deste ano. O evento pode provocar eventos climáticos extremos em algumas partes do globo, como enchentes e tempestades.

Esse cenário é, em parte, reflexo da intensificação do fenômeno: um estudo publicado na revista Science indica que estes eventos ficaram quase 40% mais intensos nos últimos 40 anos, quando comparados à era pré-industrial. O motivo provável é o aquecimento global, argumentam os autores.

Segundo o artigo, os El Niños das últimas quatro décadas foram mais fortes do que qualquer outro ocorrido nos mil anos anteriores a 1850, quando a atividade humana começou a impactar o clima por causa da emissão de gases de efeito estufa.

Intensificação do El Niño

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O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre há milhares de anos. Ele ocorre quando há alterações na circulação atmosférica e oceânica no Pacífico equatorial, que resultam num aumento de pelo menos 0,5 °C na temperatura média das águas superficiais por alguns meses consecutivos. 

Um “Super El Niño” pode estar chegando em 2026

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Quanto mais quentes as águas do Pacífico ficam, maior a intensidade do fenômeno. Se elas ultrapassam os 2 ºC de aquecimento, o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), uma agência climática americana, classifica o evento como “muito forte”. Informalmente, ele pode ser apelidado de “Super El Niño”. 

Nesse caso, as chances de desastres como enchentes, incêndios florestais, deslizamentos de terras e tempestades extremas acontecerem são maiores.

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Em 2026, um “Super El Niño” está se formando. “A questão não é se ele vai ocorrer, mas sim qual será a sua gravidade e qual será a extensão dos impactos”, diz Julia Cole, professora da Universidade de Michigan e autora do novo artigo. 

Histórico

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Em busca de evidências históricas de cada El Niño, a equipe de pesquisadores coletou amostras de 13 corais nas Ilhas dos Galápagos. 

Essas amostras, conhecidas como “testemunhos”, funcionam como “arquivos climáticos” ou “caixas-pretas” dos oceanos, e revelam séculos de história ambiental e variações climáticas da Terra, já que são formadas por camadas que progressivamente se acumulam uma sob a outra ao longo do tempo.

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A composição química dessas camadas de corais, portanto, fornece um registro da temperatura da água do mar em que os corais se desenvolveram.

O resultado foi um histórico de variações de temperatura em Galápagos – região escolhida porque, segundo Cole, o El Niño tem um maior impacto ali. Eles observaram que eventos intensos de El Niño ocorreram nos últimos 40 a 50 anos, enquanto os eventos anteriores a esse período apresentavam um “padrão bastante consistente de El Niños de menor intensidade”.

Para Cole, as descobertas da equipe reforçam a necessidade de mitigar o aquecimento global.

“Acreditamos que o aquecimento global está intensificando o El Niño e, se isso for verdade, esperamos extremos climáticos mais severos, que ampliarão as perdas ecológicas, humanas e de infraestrutura. Nenhum país dispõe de recursos para se proteger totalmente desses impactos. Essa é mais uma razão pela qual precisamos abandonar os combustíveis fósseis, a causa raiz do problema.”

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