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Ilhas Marshall, onde EUA realizaram testes nucleares, são 10 vezes mais radioativas que Chernobyl

67 bombas atômicas foram detonadas lá, durante mais de uma década. E os efeitos permanecem.

Depois de lançar bombas atômicas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em 1945, pondo fim à Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos não pararam: eles optaram por testar mais armas nucleares. Alguns desses testes ocorreram nas Ilhas Marshall, um arquipélago entre o Havaí e as Filipinas que havia sido ocupado pelo Japão e passou a ser administrado pelos EUA após a guerra. A partir de 1946, os americanos detonaram 67 armas nucleares lá, ao longo de 12 anos.

Agora, uma equipe de pesquisadores da Universidade Columbia, em Nova York, após estudos acerca da radioatividade naquelas ilhas, chegou a uma conclusão alarmante: alguns locais como os atóis Bikini e Enewetak são hoje mais radioativos que Chernobyl e Fukushima, embora tenha se passado mais de 60 anos após o fim dos testes nucleares.

Em um dos experimentos, a equipe mediu os níveis de plutônio-239 e -240 no solo, e constatou que algumas das ilhas tinham níveis entre 10 e 1.000 vezes maiores do que aqueles em Fukushima (onde um terremoto e um tsunami levaram ao derretimento de reatores nucleares) e 10 vezes superior aos da zona restrita de Chernobyl.

Ao todo, os pesquisadores analisaram a radiação em 11 ilhas. De acordo com os resultados, os níveis de radiação gama foram significativamente elevados no Atol de Bikini, na Ilha Enjebi no Atol de Enewetak e na Ilha Naen no Atol Rongelap, em comparação com uma ilha no sul das Ilhas Marshall que os cientistas usaram como controle.

Os pesquisadores também descobriram que as ilhas de Runit e Enjebi, no atol de Enewetak, bem como nas ilhas Bikini e Naen eram as mais contaminadas de todas. Faz sentido: Enewetak abrigou o primeiro teste para se chegar a uma possível bomba de hidrogênio (fusão nuclear), com o codinome Ivy Mike, em 1951. Além disso, o maior teste de uma bomda de fusão nuclear aconteceu no Atol de Bikini – foi a bomba Bravo, testada em 1954, que era mais de 1.000 vezes mais poderosa que a Little Boy, arma que dizimou Hiroshima. A contaminação não prejudicou apenas os atóis Bikini e Enewetak, mas deixou doente também quem vivia em ilhas próximas como Naen.

Em outra análise do estudo, usando mergulhadores profissionais, a equipe descobriu que a cratera que se formou embaixo do mar por conta da explosão da Bravo ainda possui níveis bem elevados de vários isótopos radioativos como plutônio-239 e -240, amerício-241 e bismuto-207.

Por último, os pesquisadores testaram mais de 200 frutas – entre cocos e o fruto da árvore pândano, típica da região. Os níveis de césio-137 estavam preocupantes em grande parte dos alimentos vindos dos atóis Bikini e Rongelap, pois tinham níveis de radioatividade superiores aos considerados seguros por vários países e organizações internacionais.