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Infância ruim marca o cérebro de chimpanzés

Ausência da mãe gera efeitos neurológicos – que duram a vida toda.

Por Bruno Garattoni 16 dez 2021, 15h13

Animais que foram criados em “creches” humanas, sem a presença da mãe, desenvolvem alterações anatômicas no cérebro – e elas persistem o resto da vida. Foi o que descobriram cientistas da Universidade de Wisconsin, nos EUA, que aplicaram exames de ressonância magnética em 108 chimpanzés criados em cativeiro (1).

Eles fazem parte de um programa do National Institutes of Health (NIH), que na década de 1980 começou a criar primatas para possível uso em pesquisas científicas. Metade dos animais cresceu com a presença da mãe, mas os demais não conviveram com ela durante a infância – porque haviam sido rejeitados logo após o nascimento.

O novo estudo mostrou que, quando chegam à idade adulta, os chimpanzés que não tiveram a presença da mãe apresentam alterações no córtex pré-frontal (região relacionada às funções mentais mais avançadas, como o raciocínio) e no córtex cingulado (ligado às emoções). Isso pode ajudar a explicar por que, em humanos, traumas de infância são tão fortes e persistentes.

Fonte 1. Predicting their past: Machine language learning can discriminate the brains of chimpanzees with different early-life social rearing experiences. A Bennett e outros, 2021.

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