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“Lula chifre de carneiro” é flagrada pela primeira vez na natureza

O animal deixa suas conchas espalhadas por praias mundo afora, mas nunca havia sido avistado por cientistas em seu habitat natural.

Por Carolina Fioratti Atualizado em 4 nov 2020, 19h10 - Publicado em 4 nov 2020, 19h06

Pesquisadores do Schmidt Ocean Institute, uma fundação de pesquisas oceanográficas sem fins lucrativos, registraram pela primeira vez uma lula da espécie Spirula spirula em seu habitat natural. Os cientistas estavam estudando a Grande Barreira de Corais, na Austrália, quando se depararam com o animal. O instituto compartilhou o momento do flagrante em suas redes sociais:

 

O registro foi feito com auxílio do SuBastian, um veículo operado remotamente (ROV). Quando os cientistas avistaram o animal, o ROV estava analisando a vida marinha a 842 metros de profundidade. De início, os pesquisadores não se deram conta do que estavam vendo na tela, mas especularam que poderia ser uma lula minúscula, com cerca de cinco centímetros. Os pesquisadores resolveram consultar Mike Vecchione, zoólogo do Museu Nacional de História Natural Smithsonian, que deu o veredito: era uma Spirula spirula, também conhecida como “lula chifre de carneiro”. 

O apelido tem relação com sua concha interna, que lembra um chifre de carneiro. A concha desse cefalópode é comumente encontrada em praias do mundo todo, mas seus donos nunca aparecem para contar a história. A falta de registros do animal vivo na natureza é o que torna a descoberta tão importante. Só com esse pequeno vídeo, os cientistas já conseguem começar a estudar algumas características da espécie. 

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A concha da Spirula spirula costuma ter menos de 2,5 centímetros de diâmetro. Ela é usualmente encontrada em praias ao redor do globo. Fritz Geller-Grimm/Wikimedia Commons

Entre as primeiras observações, temos a forma de nadar da Spirula, intimamente ligada com sua anatomia. A lula flutua na vertical, com os tentáculos voltados para cima e o manto – parte do corpo que contém a casca e órgãos internos – para baixo. Na outra extremidade do manto, há ainda duas nadadeiras que, no vídeo, são vistas ondulando na água. A concha espiral também está dentro do manto e serve para dar flutuabilidade ao animal. 

Na extremidade esquerda, estão as nadadeiras da Spirula spirula, seguidas por seu manto. A concha está alocada dentro do manto e tem papel na flutuação do animal. Na extremidade direita, estão os tentáculos da lula. Ewald Rübsamen/Wikimedia Commons

Além dessas características, a Spirula contém ainda um órgão bioluminescente na ponta de seu manto. Esse elemento é comumente encontrado em seres marinhos que vivem em águas profundas, e serve para ajudar o animal a evitar os predadores. A Spirula se mantém de cabeça para baixo, jogando a luz para as profundezas e minimizando a aparência de sua silhueta quando vista de cima. 

Os cientistas ainda querem entender como a parte flutuante do animal (manto) se mantém para cima, já que a cabeça é mais pesada. O biólogo marinho Dhugal Lindsay exemplifica ao New York Times: “Quando você projeta um ROV, não coloca o material pesado em cima e os flutuadores na parte inferior”. Agora, os cientistas pretendem analisar o padrão das nadadeiras da Spirula, que foram vistas ondulando no vídeo, para tentar entender como a lula permanece imóvel dentro d’água. 

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