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Material descartado na endoscopia pode ajudar o diagnóstico de câncer no estômago, diz estudo brasileiro

Estudo mostra que a quantidade de DNA presente no suco gástrico, fluido colhido e descartado em endoscopias, pode auxiliar no diagnóstico de câncer

Por Ana Clara Caielli Barreiro 14 abr 2026, 19h00
Material descartado na endoscopia pode ajudar o diagnóstico de câncer no estômago, diz estudo brasileiro Priorizar nos meus resultados Google

Apesar de exigir um preparo incômodo, a endoscopia é um exame valiosíssimo para avaliar problemas digestivos. Funciona assim: o paciente, que realizou um jejum de cerca de oito horas, é sedado. Em seguida, um tubo flexível com uma pequena câmera na ponta (o endoscópio) é introduzido pela boca até alcançar órgãos do sistema digestivo, como esôfago, estômago e duodeno.

Com as imagens, o médico consegue identificar possíveis anormalidades no interior desses órgãos, como inflamações e tumores. O procedimento dura cerca de 15 minutos e é indolor. 

Um detalhe é que, para garantir imagens mais nítidas, o endoscópio aspira o suco gástrico, um líquido presente no estômago. Na maioria das vezes, esse material é descartado.

Uma nova pesquisa brasileira, porém, mostra que essa talvez não seja a melhor opção. Publicada no periódico científico eLife, propõe uma nova utilidade para esse líquido: utilizá-lo na investigação de câncer de estômago.

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Tecidos cancerígenos têm como uma de suas características a liberação de fragmentos de DNA nos fluidos corporais. No caso do câncer no estômago, esse material genético se acumula no suco gástrico.

Assim, a proposta dos pesquisadores, em sua maioria médicos do A.C.Camargo Cancer Center, é medir a quantidade de DNA presente nesse líquido para ajudar no diagnóstico de câncer.

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Foram analisados 941 pacientes, alguns sem problemas gástricos, outros com doenças não malignas (como inflamações), além de casos com lesões pré-cancerosas e câncer de estômago já desenvolvido. A concentração de DNA foi notavelmente maior nos pacientes com câncer e aumentava conforme o avanço da doença.

Mas é preciso ter cautela: essa análise não substitui a boa e velha biópsia (retirada de um pequeno fragmento de tecido para análise), e sim complementa o seu diagnóstico, que muitas vezes é complexo. Como o câncer pode se distribuir de forma irregular no tecido, a biópsia pode resultar em exames inconclusivos e exigir novas investigações.

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Já a análise do DNA no suco gástrico oferece uma visão mais ampla, pois o líquido entra em contato com diferentes regiões do estômago. Outro ponto positivo da técnica é que ela não exige um novo exame nem aumenta os riscos ao paciente, e apenas aproveita um material que já é coletado.

A presença desse DNA no suco gástrico não pode ser associada diretamente ao câncer, já que também pode estar relacionada a condições benignas, como gastrite. Sua detecção basicamente levanta uma bandeirinha dizendo que algo está acontecendo, mas não necessariamente o que.

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Em um subgrupo do estudo com pacientes em tratamento para estágios iniciais da doença, o aumento do DNA no suco gástrico indicou uma resposta positiva ao tratamento. Nesse caso, o aumento estaria ligado à ação do sistema imunológico no combate ao tumor.

Mesmo assim, ainda são necessários estudos com um número maior de participantes e a definição de parâmetros mais claros para interpretar os níveis de DNA no suco gástrico para que a abordagem seja incorporada em práticas clínicas.

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