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Mergulhadores encontram navio de guerra que afundou no Canal da Mancha há 118 anos

Equipe localizou destroços do HMS Tiger após cinco anos de buscas.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 12 ago 2026, 19h00
Mergulhadores encontram navio de guerra que afundou no Canal da Mancha há 118 anos Priorizar nos meus resultados Google

O navio de guerra HMS Tiger entrou em serviço na Marinha Real Britânica em 1901. Como um contratorpedeiro, uma de suas funções incluía proteger outras embarcações contra ameaças e projéteis. Ele era utilizado em patrulhas e escoltas britânicas.

Sua história, porém, foi marcada por tragédias. Em 1907, o navio encalhou no porto da Ilha de Portland, na Inglaterra. A quilha, uma das principais estruturas responsáveis por sustentar o casco do navio, ficou danificada. Após os reparos, o Tiger voltou a operar – mas não por muito tempo.

Meses depois, em 2 de abril de 1908, o navio participava de um treinamento noturno sem luzes quando colidiu, sem querer, com outra embarcação britânica, o HMS Berwick. Eles estavam próximos à Ilha de Wight, no Canal da Mancha.

O Tiger pesava cerca de 400 toneladas, enquanto o Berwick tinha aproximadamente 10 mil toneladas. O impacto foi tão forte que o Tiger se partiu ao meio. A proa, a parte dianteira da embarcação, afundou imediatamente. A outra metade do navio afundou aos poucos, ao longo de três minutos. Cerca de 26 pessoas morreram, e 22 conseguiram ser resgatadas.

Desde então, a Marinha tenta localizar os restos do navio, mas sem sucesso.

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Nos últimos anos, uma nova sequência de buscas começou com o Project Xplore, que reuniu uma equipe de historiadores e mergulhadores. Nesta semana, 118 anos após o naufrágio, eles finalmente localizaram os destroços do Tiger no Canal da Mancha.

Parte de um naufrágio submerso, coberto por algas verdes e incrustações, com detalhes de metal enferrujado e estruturas retorcidas no fundo do mar azul escuro
(Dan McMullen/Marinha Real Britânica (Royal Navy)/Reprodução)
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A equipe passou cinco anos pesquisando arquivos e dados históricos para delimitar uma área de busca precisa em que o navio provavelmente estaria. Depois, os mergulhadores partiram para a exploração da região e, de fato, encontraram os destroços. 

Um naufrágio escuro e coberto de algas no fundo do mar, iluminado por um feixe de luz azul-clara vindo da esquerda, em águas verde-azuladas turvas
(Dr Steffen G Scholz/Marinha Real Britânica (Royal Navy)/Reprodução)
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Entre os objetos identificados estão o sino do navio e diversas partes da embarcação. Uma, inclusive, mostra onde o casco partiu (imagem acima). Em homenagem às vítimas do acidente, os mergulhadores colocaram uma coroa de flores sobre os destroços (veja a imagem na capa da matéria).

Um mergulhador ilumina com uma lanterna um canhão antigo coberto de limo no fundo do mar, com a água esverdeada e escura ao redor
(Dr Steffen G Scholz/Marinha Real Britânica (Royal Navy)/Reprodução)
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A descoberta ocorre em um momento particularmente importante. O Parlamento britânico discute atualmente a reformulação da Lei de Proteção de Restos Militares (1986) com o Projeto de Lei das Forças Armadas (2026).

A proposta é aumentar ainda mais a proteção concedida às embarcações militares inglesas naufragadas. Atualmente, apenas as embarcações naufragadas nos últimos 200 anos são protegidas.

Uma das mudanças prevê tornar crime a remoção de objetos e pedaços dos naufrágios ou a perturbação de sua integridade. Os mergulhos continuariam permitidos, mas retirar objetos das embarcações ou interferir nos destroços não seria autorizado.

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Caso a proposta seja aprovada, o Tiger – e todos os outros naufrágios – ficarão sujeitos imediatamente às novas regras de proteção.

 

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