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Mulher fazendo trilha na Itália descobre ecossistema de 280 milhões de anos

Sítio arqueológico nos Alpes contém pegadas de pelo menos cinco animais diferentes, plantas e até pequenas marcas deixadas por gotas de chuva.

Por Eduardo Lima
23 nov 2024, 19h00

Fazer trilha nos Alpes Italianos deve ser bom demais. Paisagens lindas, montanhas imponentes, florestas de coníferas e… fragmentos de ecossistemas de 280 milhões de anos atrás.

Essa não é a experiência turística de todo mundo, mas foi o que aconteceu com a italiana Claudia Steffensen, que estava caminhando com seu marido numa trilha rochosa na região de Lombardia, perto da fronteira com a Suíça.

Era verão, e o casal passeava no Parque de Montanhas Valtellina Orobie para escapar do calor, conforme reportou o jornal britânico The Guardian.

Cláudia pisou numa pedra cinza que parecia cimento e estava coberta por desenhos estranhos, circulares, e linhas em formato de onda. Quando olhou com mais atenção, ela percebeu que aquilo eram pegadas de algum animal.

Não qualquer animal: um réptil pré-histórico. E ele não estava sozinho. Havia indícios de um ecossistema inteiro do período Permiano, terminado há 251 milhões de anos atrás, com pegadas bem preservadas de répteis, anfíbios, insetos e artrópodes. 

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Crise climática, ontem e hoje

Quando encontrou a pedra curiosa, Claudia tirou uma foto e mandou para seu amigo Elio Della Ferrera, um fotógrafo especializado em natureza. Ele encaminhou a imagem para Cristiano Dal Sasso, um paleontólogo do Museu de História Natural de Milão.

Tudo aconteceu no meio de 2023, durante o verão no hemisfério norte. Desde então, equipes de cientistas encontraram outras centenas de pegadas fossilizadas. Esses rastros pertencem a pelo menos cinco espécies diferentes de animais.

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Os dinossauros ainda não existiam (foram aparecer no Triássico, período geológico seguinte), mas os donos de algumas das maiores pegadas provavelmente tinham entre 2 m e 3 m de comprimento e uma aparência assaz escamosa. 

Ilustração da reconstrução de um lago há 280 milhões de anos, durante o período Permiano.
(Fabio Manucci/Reprodução)

O estado de preservação das pegadas é impressionante, guardando detalhes como o baixo relevo das unhas do pé e os rastros deixados pela pele da barriga de alguns dos animais.

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Os especialistas também encontraram evidências de plantas, sementes e até o registro de gotas de chuva e ondas de um possível lago que existia na região.

A preservação impecável dos fósseis se deve à proximidade com a água. O que hoje é arenito um dia já foi areia e lama na margem de rios e lagos que endurecia na estação mais seca, preservando a forma das pegadas.

O período Permiano, que durou de 299 milhões a 252 milhões de anos atrás, terminou com a maior extinção em massa da história da Terra, responsável por aniquilar 90% das espécies que existiam na época. Esse evento cataclísmico envolveu, evidentemente, uma mudança sistêmica no clima global. 

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É irônico, então, que esses fósseis de 280 milhões de anos estão aparecendo agora por causa da crise climática global, a principal responsável pelo derretimento do gelo e da neve das montanhas nos Alpes. Ainda é tempo de agir, para que daqui a alguns anos não sobrem só fósseis do que um dia foi o Homo sapiens.

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