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Na ponta da língua, memória

A memória é capaz de armazenar uma quantidade de informações quase ilimitada, mas precisa de exercícios.

Lívia Lisbôa

Nossas lembranças somos nós. Elas são a nossa carteira de identidade cerebral. A memória não deixa você se esquecer de como se faz o laço no sapato, do seu primeiro dia na escola ou da letra de sua música favorita. Para administrar tanta informação, nós temos diferentes tipos de memória. Os cientistas ainda não sabem exatamente como são organizadas essas lembranças. Por que será que certos acontecimentos permanecem vivos na memória enquanto outros se perdem para sempre?

Uma corrente diz que as conexões entre os neurônios são reforçadas toda vez que se solicita de novo uma mesma informação. Outra teoria explica as lembranças como depósitos de proteínas entre as células nervosas. A única certeza é que as lembranças são um fenômeno subjetivo. “Cada indivíduo tem uma memória diferente do mesmo fato”, diz o psiquiatra Cássio Bottino, da Clínica da Memória do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Isso acontece porque cada pessoa vê com seus olhos, sua formação e seu estado afetivo.”

Prateleiras separadas

Você possui vários tipos diferentes de memória. Conheça alguns deles.

CURTO PRAZO

Você acha na lista telefônica o número que procura e imediatamente o memoriza. Só que essa informação não fica guardada. Em geral, ela é esquecida segundos depois.

EPISÓDICA

O primeiro beijo durou poucos segundos e aconteceu há muito tempo, mas você nunca mais o esqueceu. Dos fatos do passado, poucos permanecem acessíveis ao longo de uma vida inteira.

OPERATIVA

Depois que se aprende a andar de bicicleta, não se esquece nunca. Essa é uma memória automática. Por isso, você consegue dirigir um carro enquanto conversa.

SEMÂNTICA

É a memória que associa um objeto ao seu nome. É ela que lembra a você o significado da palavra “banana” ou o nome do presidente da República.

PROSPECTIVA

Ela serve para registrar os compromissos futuros. Se você não anotar na agenda, pode se esquecer, pois é uma memória muito frágil.

Quem sabe é super

Com o tempo,o cérebro amplia seus conhecimentos, mas enfrenta dificuldade para processar informações novas. Há idosos capazes de dar uma aula brilhante, mas que não conseguem operar um aparelho de vídeo.

Você é bom de números?

Teste sua memória de curta duração.

Um professor de Londres criou em 1887 uma maneira de testar a memória de curta duração. Tudo o que você precisa fazer é ler em voz alta cada linha de números, apenas uma vez, um número por segundo. Feche os olhos e tente repetir a primeira seqüência. Se estiver correta, passe para a próxima linha mais longa. Prossiga até cometer um erro. Então, tente uma próxima seqüência com a mesma quantidade de dígitos até conseguir passar para uma mais longa, mais difícil de guardar. Um alcance de memória médio é de seis ou sete dígitos – embora exista quem só possa lembrar-se de quatro ou cinco números, e quem possa repetir dez, ou mais. O fator limitante é o tempo. O desafio é chegar ao fim da linha antes de esquecer o primeiro número. Para melhorar o desempenho, leia mais rápido, ou tente agrupar os dígitos de três em três, e repeti-los com um ritmo definido. É o que já se faz, na prática, com os números de telefone usados com freqüência.

4318

68259

38147

913825

648371

596382

7958423

5316842

7918546

86951372

51739826

51398247

719384261

163874952

625943826

9152438162

7154856193

1528467318

Esqueça menos

Algumas dicas para você melhorar a memória.

Preste atenção nos detalhes das informações recebidas para gravar os nomes, os rostos e os fatos.

Coloque seus objetos pessoais, como chaves e óculos, sempre no mesmo lugar. Essa é a melhor maneira de evitar que eles sejam perdidos.

O sono é fundamental, pois é nesse período que as informações são fixadas.

Pratique atividades que exigem concentração: leia, escreva, jogue xadrez ou damas, faça palavras cruzadas, conte para alguém o enredo de um filme.

Associações de idéias costumam dar resultado. Uma imagem, uma cor, um som ou um cheiro podem fazer você se lembrar de algo que precisa ser memorizado.

Repita, mentalmente ou em voz alta, o número de telefone, o endereço ou o conceito a ser lembrado.

Com uma dieta equilibrada, o sangue flui sem problemas e o cérebro funciona melhor. A memória ganha com isso.

Quando as emoções estão envolvidas, é mais difícil esquecer. Aquele teste de física se tornará inesquecível se o professor o pegou colando na prova.