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Na Roça – A fazenda

Safados e artísticos - pesquisadores mostram que bichos se parecem mais com os humanos do que se podia imaginar

Paquera no puleiro

As galinhas não se interessam por qualquer humano. Elas preferem rapazes bonitinhos. Em Estocolmo, na Suécia, pesquisadores selecionaram fotos de universitários homens e mulheres e pediram que eles mesmos se avaliassem de 0 a 10 no quesito beleza. Depois, ensinaram as galinhas a distinguir rostos masculinos dos femininos, com a ajuda de gratificações alimentares. Bastava darem bicadas nas fotos. Elas conseguiram. Mas o espantoso mesmo foi que os rostos mais bem avaliados pelos universitários também foram os que receberam mais bicadas – ou seriam beijinhos? A hipótese é que nossas preferências sexuais estejam ligadas a características evolutivas do sistema nervoso de todos os animais.

Curadores alados

Pombos têm avançadas habilidades de percepção, dizem cientistas da Universidade Keio, em Tóquio. Eles foram a uma escola e selecionaram pinturas de crianças avaliadas por professores como “boas” e “ruins”. Depois, projetaram as imagens numa tela e soltaram os pombos. As aves só eram alimentadas quando bicavam as imagens da categoria “boa”, fossem abstratas, paisagens ou naturezas-mortas. Depois de um mês, os pombos estavam aptos a bicar apenas as imagens bonitas, mesmo aquelas que ainda não tinham visto. Para o chefe do estudo, isso mostra que um pombo é capaz de apreender conceitos artísticos como qualquer humano.

Panelinha bovina

Sabe quando você chega naquela festa em que não conhece ninguém a não ser o aniversariante? Em meio a estranhos, as vacas podem se sentir tão deslocadas quanto você. Krista McLennan, da Universidade de Northampton, no Reino Unido, mediu a frequência cardíaca e o nível de cortisol (hormônio que indica estresse) das bovinas em 3 momentos: sozinhas, ao lado de uma vaca conhecida e ao lado de uma estranha. Na última situação, os batimentos cardíacos e o nível de cortisol das bovinas aumentaram. Junto às velhas parceiras, elas ficaram mais calmas.

A vida secreta das abelhas
Estudos mostram que esses insetos têm sentimentos, resolvem problemas melhor do que computadores e ainda apreciam Van Gogh.

Elas também ficam deprê
Pesquisadores da Universidade de Newcastle, Reino Unido, treinaram abelhas para associar dois cheiros a recompensas boas (um líquido doce) e ruins (um amargo). Aí sacudiram a colmeia como num ataque predador e as expuseram aos cheiros para ver como reagiriam. Elas ignoraram os estímulos. Ao analisar os neurotransmissores em seus corpinhos, os cientistas detectaram níveis alterados de dopamina, serotonina e octopamina. Estavam deprimidas. Até então, “sentimentos” eram considerados coisa só de vertebrados.

São experts em cálculo
Qual é a melhor rota para visitar várias cidades percorrendo a menor distância? O “problema do caixeiro-viajante” parece simples, mas matemáticos ainda quebram a cabeça para fazer um bom algoritmo para resolvê-lo. Mesmo supercomputadores podem ficar dias testando as várias combinações. A equipe do professor Lars Chittka, da Universidade de Londres, descobriu que o circuito neural mínimo das abelhas resolve o imbróglio bem mais fácil. Espalharam flores artificiais com sensores em uma floresta e esperaram para ver que roteiro elas fariam. Depois de explorar a localização das flores, as abelhas passaram rapidamente a fazer o trajeto mais curto. Conclusão: elas aprendem com a experiência, sem precisar testar todas as rotas. Isso, mesmo os algoritmos mais modernos não fazem.

E fãs de Van Gogh
O mesmo professor Lars Chittka resolveu expor abelhas a pinturas famosas. Girassóis, de Van Gogh, Vaso de Flores, de Paul Gauguin, Cerâmica, de Paul Caulfied, e Natureza Morta com Caneca de Cerveja, de Fernand Leger. As abelhas nunca tinham entrado em contato com flores naturais e, nos voos, pousaram mais vezes nos quadros floridos. Muito lógico. Mas, precisamente, pousavam mais sobre os girassóis de Van Gogh – dos 146 voos identificados, 99 miraram neles. Abelhas de bom gosto.