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Nasa envia dois astronautas ao espaço hoje, em um foguete de Elon Musk

É a primeira viagem espacial tripulada em um foguete privado. Acompanhe ao vivo.

Por Alexandre Versignassi - Atualizado em 31 Maio 2020, 10h58 - Publicado em 27 Maio 2020, 12h44

Atualização 27/março, 17h30: faltando poucos minutos para o lançamento, Nasa e SpaceX decidiram adiá-lo, alegando mau tempo. As próximas datas possíveis para o início da missão são este sábado, dia 3, e domingo, dia 4.

Você pode ser a favor ou contra privatizações. O debate segue aberto. Mas a Nasa já tomou partido: é a favor. A agência espacial americana lança hoje, às 17h33 do horário de Brasília, a primeira missão espacial tripulada num veículo que não foi construído por ela própria.

Os astronautas Robert Behnken, 49 anos, e Douglas Hurley, 53, vão embarcar numa cápsula Crew Dragon, da SpaceX. A companhia de Musk também fornece o meio de de propulsão: um foguete Falcon 9, já bem testado em lançamentos sem tripulação. A SpaceX tem um contrato de US$ 2,6 bilhões com o governo americano para construir foguetes e cápsulas capazes de levar pessoas à estação espacial.

A Nasa não lançava um foguete tripulado desde 2011, ano da aposentadoria dos Ônibus Espaciais. Desde lá, ela vinha usando uma nave russa, a Soyuz – que sempre é lançada a partir da antiga base soviética de Baikonur, no Cazaquistão. O voo de agora sai do Kennedy Space Center, em Cabo Canaveral, Flórida.

A fila está andando agora porque a Nasa tem um objetivo mais desafiador para os próximos anos: voltar à Lua,

O propósito da viagem é checar se a Crew Dragon é boa o bastante para substituir a Soyuz no transporte de astronautas para a Estação Espacial Internacional (ISS), o laboratório que orbita a Terra, a 400 km das nossas cabeças. Não é uma tarefa trivial. A Soyuz é a nave mais confiável da história – começou sua carreira há meio século, em 1967. Foram 153 missões desde então, com um único acidente fatal, em 1971. Na engenharia aeroespacial, panela velha é que faz comida boa.

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A fila está andando agora porque a Nasa tem um objetivo mais desafiador para os próximos anos: voltar à Lua, que bóia no céu imensa e amarela, a 300 mil km das nossas cabeças – mil vezes mais longe que a ISS. Logo, ela pede foguetes maiores, algo que os russos não têm para alugar.

A ideia é que a SpaceX também forneça esses veículos de maior cavalaria – no caso, os foguetes Falcon Hevy, os maiores desde o Saturno V, que levou a Apollo 11 em seu nariz. Foi um deles que levou um Tesla Roadster ao espaço, em 2018, atirando o carro, com um boneco dentro, em direção a Marte. Hoje, aliás, o carrinho está mais perto do planeta vermelho que do azul – a 246 milhões de km da Terra, e a 100 milhões de Marte, rasgando caminho pelo espaço a 30 mil km/h.

A relação entre a Nasa e a SpaceX não se dá por amor, claro, mas por dinheiro. Cada lançamento de um Falcon Heavy custa US$ 90 milhões. O de um foguete da Nasa (o Artemis, que ainda nem está pronto) é estimado em algo entre US$ 500 milhões e US$ 900 milhões.

Ah, sim: tem a pandemia. O último lançamento de foguete com astronautas na Flórida atraiu um milhão de espectadores às praias de Cabo Canaveral. E a Nasa não tem como impedir uma aglomeração. “Pedimos para que as pessoas não se dirijam aos arredores do Kennedy Space Center”, disse Jim Bridenstine, o chefe da agência espacial. “Achamos que o melhor para a Nasa e para a nação é que as pessoas se juntem a nós assistindo de casa”.

Bora lá, então:

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