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Níveis de neurotransmissores no cérebro podem influenciar habilidade matemática

Estudo britânico mostrou que crianças com maiores níveis de ácido gama-aminobutírico (GABA) no cérebro tendem a ir melhor em testes aritméticos. Para os adultos, a presença de glutamato parece ser mais vantajosa.

Por Carolina Fioratti 4 ago 2021, 16h45

Se você tem dificuldade em matemática, o problema pode estar na sua cabeça. Não por uma questão psicológica, mas por causa dos seus neurotransmissores. Pesquisadores das Universidades de Oxford, Surrey e Swansea, no Reino Unido, mostraram que os níveis de algumas dessas substâncias químicas no cérebro podem predizer quão habilidosos seremos em matemática. O estudo foi publicado na revista científica PLOS Biology.

Os neurotransmissores são substâncias químicas responsáveis por transportar sinais entre os neurônios, permitindo o bom funcionamento do cérebro. Dois deles, o glutamato e o ácido gama-aminobutírico (GABA), possuem papéis complementares: enquanto o GABA atua como inibidor do sistema nervoso central, o glutamato acentua a atividade dos neurônios. Esses dois neurotransmissores já haviam sido associados à capacidade de aprendizado, e agora cientistas constataram que eles podem influenciar no desempenho de crianças e adultos em testes aritméticos. 

O estudo contou com 255 participantes, desde crianças a partir dos seis anos de idade até estudantes universitários. Os voluntários foram submetidos a dois testes de matemática, o segundo feito com 18 meses de diferença. A partir das provas, os pesquisadores relacionaram os resultados com imagens dos pacientes obtidas através de ressonâncias magnéticas. 

Os cientistas tinham como foco a análise dos neurotransmissores na parte esquerda do sulco intraparietal (IPS) do cérebro. A região em questão foi escolhida por já ter sido associada à habilidade matemática em estudos anteriores. Dados do artigo mostram que crianças com níveis mais altos de GABA e níveis inferiores de glutamato apresentaram melhores resultados nos testes. Para os adultos, foi o inverso. Os voluntários mais velhos com níveis maiores de glutamato e menores de GABA tiveram melhor desempenho nas tarefas. 

Até então, pesquisas do tipo haviam focado em intervalos curtos de desenvolvimento. O novo estudo, que analisa pessoas de diferentes idades e em diferentes épocas, mostra não só a relação entre os neurotransmissores e a habilidade matemática, mas também como os efeitos causados pelos níveis das substâncias podem mudar com o passar da idade. Ou seja, um nível de neurotransmissores que te ajudou no passado, talvez não seja tão positivo no futuro. Informações do tipo contribuem para estudos acerca do desenvolvimento cerebral e devem continuar sendo exploradas. 

No futuro, pesquisadores podem aplicar os resultados para pessoas com dificuldades de aprendizagem e procurar compreender se a manipulação de GABA e glutamato poderia influenciar de maneira positiva o desempenho deste grupo. Mas é preciso ter cautela: estes mesmos neurotransmissores estão envolvidos em uma rede complexa de funções, e uma manipulação indevida deles poderia afetar outras áreas que não são o foco. 

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