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No limite da morte

Vários pacientes ressuscitados depois de uma parada cardíaca narram experiências que colocam em dúvida a morte da consciência junto do corpo.

Por 31 ago 2003, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h47
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Tânia Nogueira

Agente não sabe o que acontece depois da morte porque nunca ninguém voltou para contar, diz o ditado popular. Não é bem assim. Hoje os médicos ressuscitam pacientes com parada cardiorrespiratória. Os relatos que cerca de 10% desses pacientes fazem do momento em que estavam morrendo são o que a medicina chama de Experiência de Quase-Morte.

No mundo inteiro, independentemente de cultura ou religião, as Experiências de Quase-Morte são muito parecidas. As narrativas costumam citar um túnel escuro ao fim do qual há uma luz brilhante, a sensação de ter todas as memórias passando rapidamente diante de seus olhos, a capacidade de ver o próprio corpo do alto, o encontro com pessoas queridas que já morreram e com um ser iluminado, paz e plenitude, entre outras coisas.

Uma das hipóteses mais comuns para explicar o fenômeno é a de que tudo não passa de uma alucinação provocada pela falta de oxigênio ou pelo desequilíbrio químico no cérebro. Em seu artigo Near-Death Experiences, Bruce Greyson aponta para o fato de que a falta de oxigênio costuma causar confusão e, não, pensamentos claros e lúcidos como os relatados. Médico da Divisão dos Estudos de Personalidade da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, ele questiona também a tese de neurologistas que ligam o fenômeno à liberação de serotonina e endorfinas, duas substâncias normalmente associadas à sensação de prazer. “Até hoje esses modelos são especulativos e nunca foram testados.”

FORA DO CÉREBRO

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Em um estudo com pacientes com parada cardíaca, Sam Parnia, do Hospital Geral de Southampton, e Peter Fenwick, do Instituto de Psiquiatria de Londres, ambos na Inglaterra, indicam um dado ainda mais curioso: muitos dos que dizem ter vivido experiências de quase-morte apresentavam também parada da função cerebral no eletroencefalograma. Pode-se alegar que as experiências aconteceram antes do cérebro parar ou depois que ele voltou a funcionar. Mas há casos de pacientes que narram detalhes do que aconteceu na sala de emergência enquanto eles estavam “mortos”.

“Há relatos de pacientes que repetem diálogos da equipe ocorridos durante a parada cardíaca”, diz o psiquiatra Alexander Almeida, coordenador do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, grupo multidisciplinar não-religioso que investiga as relações entre espiritualidade e saúde. “Pesquisas como essas lançam dúvidas sobre o pressuposto de que a consciência está obrigatoriamente localizada no cérebro”, afirma o pesquisador.

 

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