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Canto dos pássaros segue padrão estatístico encontrado na linguagem humana, diz estudo

Aves canoras podem empregar a Lei de Zipf para facilitar o aprendizado entre gerações. Entenda como.

Por Amanda Nascimento 10 ago 2026, 19h00 | Atualizado em 26 ago 2026, 14h04
Canto dos pássaros segue padrão estatístico encontrado na linguagem humana, diz estudo Priorizar nos meus resultados Google

A língua portuguesa segue um padrão bem claro – e não me refiro à norma-culta. Trata-se de uma questão matemática: o português, assim como quase todos os idiomas do mundo, segue um padrão famoso chamado Lei de Zipf. A regra se baseia na ideia de que a palavra mais usada em um texto aparece o dobro de vezes da segunda mais usada, que aparece três vezes mais que a terceira, e por aí vai.  

Agora, um artigo publicado na revista Science Advances indica que o canto dos passáros Manon (Lonchura striata domestica) utiliza este mesmo padrão estatístico. As aves canoras, famosas por seus cantos, teriam desenvolvido a técnica com o intuito de tornar mais fácil o aprendizado de seus cantos e, assim, poder transmiti-los de geração em geração.

O linguista norte-americano George Kingsley Zipf notou este padrão entre humanos há quase um século, enquanto lecionava em Harvard na década de 30. No inglês, por exemplo, a palavra mais comum é o artigo the – que em português seria “o”, “a” e suas variações no plural. As segundas mais comuns, por sua vez, apareciam pela metade (seriam elas “and” e “of”, que por aqui são “e” e “de”). 

É provável, porém, que o padrão nos cantos de pássaros não tenha um significado específico como os idiomas humanos. Ainda assim, descobertas como essas desafiam a noção de que a linguagem humana é única. “De repente, temos espécies não relacionadas que fazem algo semelhante ao que os humanos fazem”, diz Simon Kirby, cientista cognitivo e autor do estudo à Scientific American. “Isso nos dá uma nova divisão, uma nova maneira de classificar os sistemas de comunicação no mundo.”

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Lei de Zipf e os Manon

Não é claro o por que a distribuição de Zipf é mais fácil de aprender e nem por que os Manon a teriam escolhido. Mas Kirby levanta a hipótese de que as poucas palavras (ou, neste caso, gorjeios e pios) mais usadas funcionariam como pontos de referência, permitindo que ouvintes inexperientes identifiquem onde uma palavra termina e a próxima começa. 

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Algo semelhante acontece quando nós, humanos, reconhecemos uma frase em um idioma que não dominamos: algumas palavras-chave nos dão pistas suficientes para entender o contexto geral.

Então, como os pesquisadores distinguem um gorjeio de outro sendo que não falam a “língua dos Manon”? Eles usaram um algoritmo inspirado na forma que se acredita que os bebês processam a linguagem. A equipe fragmentou algumas centenas de amostras de cantos de pássaros e mediu a frequência com que cada uma das unidades segmentadas aparecia. 

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Essa mesma frequência de Zipf também foi documentada no ano passado no canto das baleias-jubarte, o que significa que ela surgiu em pelo menos três linhagens evolutivas separadas por milhões de anos.

Além disso, os cantos de aves canoras são transmitidos de uma geração para a outra. Visto que a Lei de Zipf é conhecida por ajudar bebês humanos a assimilar a linguagem dos adultos ao seu redor, é lógico supor que padrões semelhantes também possam auxiliar o aprendizado de pássaros jovens, segundo Kirby. 

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Agora, os pesquisadores planejam buscar outros paralelos com a linguagem humana que possam facilitar o aprendizado nessas espécies.

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