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O curioso caso da baleia jubarte encontrada em uma mata no Pará

O filhote já estava em decomposição quando foi encontrado. E como ele foi parar lá segue sendo um mistério

Por Ingrid Luisa - 26 fev 2019, 19h20

Baleias jubarte costumam migrar mais de 25 mil quilômetros todos os anos entre as áreas de alimentação e as de reprodução. Mas, agora, uma delas foi parar longe demais: numa região de mata da praia de Araruna, litoral do município de Soure, na ilha do Marajó. E a descoberta dela, na semana passada (sexta-feira, 22), só veio depois de relatos de moradores de que urubus estavam comendo sua carcaça. 

Segundo informações da ONG Bicho D’Água e da Secretaria Municipal de Saúde, Saneamento e Meio Ambiente (Semma), a tal jubarte é um filhote macho, já estava morto há 3 ou 4 dias quando foi encontrado, mede 8 metros de comprimento por 6 metros de largura e tinha aproximadamente um ano de idade. Uma jubarte adulta pode ter até o dobro desse tamanho. 

Mesmo tendo sido encontrada a cerca de 15 metros da praia, os pesquisadores acreditam que ela encalhou entre 3 e 4 metros de distância do litoral — mas foi arrastada pela maré alta para dentro da mata.

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Equipe coletando amostras biológicas da baleia jubarte encalhada ontem na praia do Araruna, Reserva Extrativista Marinha de Soure (ICMBio/PA). Em breve mais informações! #bichodagua #icmbio #amazonia #baleiajubarte #marinemammal #whale #biodiversidade #biodiversity #ong #amazonia #amazonforest #amazonriver #humpback #humpbackwhale #baleiajubarte #preserveanatureza #bichodagua #icmbio #semmasoure #activism #ativismo #planeteatrh #planetaterra #savethewhales #salveasbaleias #rainforests #marinemammals #mamiferosaquaticos

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Os biólogos da ONG Bicho D’Água, do Museu Paraense Emílio Göeldi (MPEG), estão no município desde o último sábado, 23 de fevereiro. No mesmo dia, uma equipe de 13 profissionais colheu partes da baleia para fazer a necropsia do animal. As amostras serão enviadas para laboratórios de Belém e do Rio de Janeiro, com o objetivo de descobrir a causa da morte do animal. 

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O corpo da baleia, que se encontra em uma área de difícil acesso, dentro de um mangue em Soure, não terá como ser removido. Mas o desejo dos pesquisadores é que a carcaça seja preservada em algum museu — provavelmente o Emílio Göeldi mesmo. A autópsia deve levar cerca de dez dias.

Um ponto curioso dessa história toda é que aconteceu durante o inverno amazônico, período de cheia dos rios. Até ocorrem registros de baleias na bacia amazônica, mas geralmente no período seco, quando as águas salgadas penetram os rios. As jubartes do Hemisfério Sul passam os meses de verão se alimentando em águas polares mais quentes. 

Outra questão misteriosa é como a baleia foi parar lá. Segundo afirmou Renata Emin, especialista em mamíferos marinhos da Bicho D’água, ao site paraense OLiberal o filhote podia estar viajando sem a mãe (provavelmente pela primeira vez) e se perdeu durante o ciclo migratório. Apesar da hipótese, mais analises ainda precisam ser feitas para cravar uma resposta definitiva.

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