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O incrível fóssil rastejante

A anatomia do crustáceo pré-histórico.

Por Da Redação - Atualizado em 31 out 2016, 18h34 - Publicado em 31 dez 2003, 22h00

Bruno Maçães

Ele parece o Predador, aquele alienígena que caça Arnold Schwarzenegger na selva. Mas é o inofensivo límulo, ou caranguejo-ferradura, um dos bichos mais estranhos da Terra. Com sua carapaça espinhuda, ele sobreviveu a diversas extinções em massa e é uma das espécies mais antigas do mundo, com mais de 500 milhões de anos. Quando os dinos surgiram, ele já era ancião. Como se vê, o ferradura é um fóssil vivo.

Qual o segredo de tanto sucesso? Entre outras coisas, ele come de tudo, mas também pode passar um ano sem comer. Não tem inimigos naturais e agüenta extremos de temperatura e salinidade. Em 1967, rendeu até um Nobel: seus receptores visuais e nervo óptico ajudaram a revelar como funciona a visão.

Atualmente, seu sangue é usado pela indústria farmacêutica e pela Nasa. A agência espacial o utiliza para localizar e exterminar bactérias em suas sondas, para que não contaminem outros planetas. É possível que seja enviado a Marte numa tentativa de detectar vida lá.

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Apesar do nome, o ferradura não é um caranguejo nem é considerado um crustáceo. Suas quatro espécies – que ocorrem na costa leste americana e Sudeste Asiático – formam uma classe exclusiva do filo artrópode, a merostomata. E, se você encontrar um ferradura na praia, não precisa fugir. Apesar de chegar a mais de meio metro e ter seis pares de garras, ele não belisca. O ferradura pode assustar, mas é inofensivo como um cavalo. Cavalo-marinho, claro.

Lição de anatomia

O caranguejo-ferraduraem frente e verso

Olhos

Oito em cima e dois embaixo (indicados na imagem à direita), de diferentes tipos. No escuro, sua sensibilidade visual aumenta 1 milhão de vezes. Enxergam em ultravioleta

Carapaça

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Ficam 25% maiores a cada troca de carapaça. Tornam-se adultos aos 10 anos, após 16 trocas de pele. As fêmeas, maiores, podem atingir 60 centímetros e viver 19 anos

Boca

Fica no meio do corpo, entre as patas. Estruturas lembrando pentes ajudam na mastigação. O bicho come de minhocas e moluscos a algas

Patas

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São seis pares, todas com garras. O primeiro serve para colocar comida na boca. Outros quatro servem para andar e mastigar. O último par empurra o caranguejo adiante

Cauda

Em forma de ferrão, ela não é uma arma. Sua função é servir de alavanca. Se o caranguejo capotar, ele a usa para se desvirar. É rígida e gira como uma hélice

Genitais

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Ovos ou esperma ficam embaixo desta cobertura. Os machos se agarram a uma fêmea, formando um “trenzinho”. Na areia, a fêmea cava ninhos e põe 300 ovos em cada. Os machos liberam esperma em cima deles e o ninho é tapado

Sangue

É azul e contém cobre – e não ferro, como o nosso – para transportar oxigênio. Os cientistas usam a substância para purificar vacinas. E o bicho não morre mesmo depois de “doar” um terço do seu sangue

Guelras

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Além de usadas para respirar, elas funcionam ao mesmo tempo como nadadeiras. O animal nada de cabeça para baixo

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