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O número de crianças não vacinadas quadruplicou desde 2001

O estudo, que analisa a situação das vacinas nos EUA, afirma que ao menos 100 mil crianças foram afetadas

Em 1904, no Rio de Janeiro, ocorreu um motim popular conhecido como “Revolta da Vacina”. Talvez você lembre das aulas de história do colégio: a campanha de vacinação obrigatória, posta em prática pelo sanitarista Oswaldo Cruz, causou uma grande desconfiança na população — que já estava insatisfeita com as medidas impopulares (como a demolição de cortiços e favelas) do governo Rodrigues Alves. Nesse contexto, parte da população se negou a tomar as vacinas.

A população não entendia o que era vacina, não foi informada e tinha muitos motivos para acreditar que o governo realmente queria lhe fazer mal. A desinformação, no entanto, passou. Hoje é praticamente unânime a noção de que a vacinação erradicou doenças antes fatais, como varíola. Vacinar virou regra. Mas, acontecimentos recentes mostram preocupantes quebra dessa regra.

Quem está chamando atenção para o fato é o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA. Segundo ele, o número de crianças que não receberam vacinas para doenças que podem ser evitadas através da vacinação (como cachumba e sarampo, por exemplo) quadruplicou desde 2001, em solo americano. Na prática, isso corresponde a cerca de 100.000 indivíduos.

Usando dados do National Immunisation Survey-Child, o relatório mostrou que a porcentagem de crianças sem vacinação básica aos 2 anos de idade aumentou de 0,9%, em 2011, para 1,3%, em 2015. Em 2001, esse número era de apenas 0,3%. A pesquisa constatou que as vacinas menos aplicadas eram contra Hepatite A e rotavírus.

1,3% pode parecer pouco, mas o aumento de 1% em menos de 15 anos é algo bem significativo. A Dra. Amanda Cohn, consultora sênior de vacinas do CDC, disse que as razões para este aumento podem ser diferentes: “Alguns pais querem vacinar e não tem acesso a um profissional de saúde, mas outros optam por não vacinar o filho”.

E essa parcela que escolhe não submeter seus filhos a vacinas tem crescido nos últimos anos. O movimento “antivacina” teve seu primeiro argumento “forte” em 1998, quando uma pesquisa publicada pela revista científica “The Lancet” dizia que que a Vacina Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola) desencadearia o autismo.  O artigo foi desmascarado quando outros cientistas fizeram novos estudos e confirmaram que a correlação era falsa. O britânico Andrew Wakefield, autor do artigo, perdeu seu registro de médico e a publicação foi tirada de circulação. Mas daí veio a faísca do movimento.

Hoje essa crença cresce e já mostra resultados alarmantes: em agosto do ano passado, um surto de Sarampo na Itália registrou 4 mil casos — e 86% dos afetados não haviam se vacinado. Na década de 90, essa doença matou mais de 2 milhões de pessoas — e ela voltou a aparecer no Brasil, depois de ter sido oficialmente erradicada do país em 2016.