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O que está causando o surto de diarreia “explosiva” nos EUA, em plena Copa do Mundo?

Crescimento dos casos de ciclosporíase tem deixado os órgãos de saúde em estado de alerta. Veja o provável culpado.

Por Diego Facundini 15 jul 2026, 08h00 | Atualizado em 16 jul 2026, 11h27
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Uma onda de diarreia “explosiva” tem se espalhado pelos EUA em meio a um novo surto de ciclosporíase, uma infecção parasitária causada pelo protozoário Cyclospora cayetanensis.

Com casos confirmados em 34 dos 50 estados do país, estima-se que até 7 mil estadunidenses podem já ter contraído a doença, que é transmitida por meio da água ou comida contaminada por fezes.

A situação tem ganhado a atenção das autoridades de saúde de todo o país, que continuam no escuro quanto à real origem do surto.

A ciclosporíase é um tipo de infecção que dificilmente leva à morte, e tende a impor um risco maior apenas a pessoas imunossuprimidas. Ela pode levar a perda de apetite, náuseas, fadiga, inchaços e vômito. Mas o principal sintoma são as frequentes crises de diarreia líquida, geralmente acompanhadas de evacuações intensas (ou, como são chamadas, “explosivas”), que podem durar até um mês se não tratadas. O tratamento é feito com antibióticos.

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Nos EUA, essa é uma doença sazonal, e os parasitas tendem a circular mais nos meses de verão, entre maio e agosto. Desde 2016, cerca de 2.800 casos eram registrados por ano, em todo o país, pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).

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Já em 2026, os casos de infecção começaram a crescer de maneira expressiva ainda na metade de maio. Até essa terça-feira (14), já se somam 1.645 casos confirmados em todo o país, além dos 5.100 que ainda seguem sob investigação, segundo dados do CDC. Até o momento, 141 pessoas foram hospitalizadas, e nenhuma morreu.

Os números do CDC, porém, provavelmente são bem menores que a contagem real. Leva tempo para cada estado notificar seus casos à agência, e mais tempo ainda para confirmar cada caso de infecção. Por isso, os dados da agência costumam ter um atraso em relação aos divulgados individualmente pelos estados.

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Em Michigan, o estado mais afetado pelo surto, os órgãos estaduais registraram 2.640 infecções e 44 hospitalizações até essa segunda – um aumento de 69% em relação aos números da sexta-feira anterior.

Em surtos passados, a origem das infecções costumava ser associada, em grande parte dos casos, ao consumo de hortaliças contaminadas, como framboesas, manjericão, coentro e ervilhas. Agora, segundo a melhor hipótese dos órgãos de saúde, a fonte mais provável são as verduras vendidas nos supermercados.

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“Embora a investigação ainda esteja em andamento, os resultados atuais apontam a alface ou outras folhas usadas em saladas como uma possível fonte deste surto, embora outros alimentos não possam ser completamente descartados. Nenhum tipo específico de hortaliça, produtor ou fornecedor foi identificado como a origem do surto”, escrevem membros do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do estado de Michigan, em documento divulgado na segunda-feira (13).

A partir disso, as autoridades de saúde de Michigan divulgaram uma série de orientações para o consumo mais seguro desses produtos. Por exemplo, o documento recomenda que os consumidores comprem o pé inteiro de alface, em vez de alfaces pré-lavadas ou embaladas, e descartem as duas ou três camadas de folha mais externas antes do preparo.

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Além disso, o Departamento também sugere que sejam lavadas as folhas internas – ainda que, na prática, isso não anule o risco por completo, uma vez que a lavagem não remove todas as partículas infecciosas, e, no caso desse protozoário, a exposição limitada ainda é o suficiente para levar a uma infecção. O melhor a se fazer, então, é cozinhar as hortaliças numa temperatura de pelo menos 70 °C.

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