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Os novos amigos do homem

Em vez de veneno, cobras e aranhas agora dão remédios

André Chaves de Melo

O cão e o cavalo tiveram seu tempo, mas já eram. Hoje, os bem-amados do reino animal são ex-bandidos repugnantes e assustadores, como sanguessugas, cobras, lesmas e aranhas. O motivo, muito simples, é que esses bichos carregam no organismo substâncias de valor inestimável para a humanidade. As caranguejeiras, por exemplo, trazem no sangue um antibiótico, a gomesina, capaz de matar bactérias 20 vezes mais depressa do que os antibióticos convencionais. Do veneno das jararacas se extrai um excelente medicamento contra a hipertensão. Proteínas contidas na saliva das sanguessugas são anti-coagulantes naturais, perfeitos para desentupir artérias esclerosadas. Na pele de uma lesma marinha, a lebre-do-mar, comum nas costas brasileiras, se achou o trimetilsulfônio, que é um poderoso relaxante muscular. O assunto é tão sério que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a Fapesp, criou o Centro de Toxicologia Aplicada, cujo objetivo é buscar compostos benéficos na natureza. Além das jararacas e sanguessugas, lá também se estudam carrapatos e lacraias, diz Antônio Carlos Camargo, diretor do Centro.