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Para treinar cães, recompensa é mais eficiente que punição, revela estudo

Na pesquisa, cachorros que recebiam carinho e petiscos quando acertavam ficaram mais obedientes do que aqueles que levavam um pequeno choque quando erravam.

Por Bruno Carbinatto - 13 ago 2020, 19h45

Quando se trata de adestrar cãezinhos, estimular boas ações com recompensas é mais válido do que punir os comportamentos errados – e não só porque é moralmente melhor, mas também porque é mais eficiente, segundo um novo estudo publicado na revista científica Frontiers in Veterinary Science.

Pesquisadores britânicos analisaram o treinamento de 63 cachorros para virarem pastoreiros, ou seja, auxiliarem no controle e locomoção de grupos de gados em fazendas. Os cães selecionados para o estudo foram aqueles que tinham mau comportamento até então, e precisariam de um processo para começarem a exercer suas funções.

Os cachorros foram divididos em três grupos: o primeiro recebeu um treinamento convencional, que se baseia, por exemplo, em comandos de voz, orientação de movimentação por coleira, “broncas” quando os cães cometiam erros e recompensas em forma de petiscos quando cumprias as tarefas.

Esse grupo serviu de controle para comparação com os outros dois. Eles também seguiam todos esses passos citados, mas cada um focava em uma estratégia específica.

Em um deles, o treinamento apostava mais em punições para quando os cães cometiam erros, que no caso eram aplicadas via pequenos choques elétricos por uma coleira elétrica especial colocada nos bichos. Quem defende esse método acredita que o cão passa a associar os erros com um estímulo negativo e, por isso, evita cometer a mesma ação. Vale lembrar, porém, que outros fatores usados no grupo de controle também eram utilizados neste grupo, incluindo o uso de recompensa em forma de comida quando os cachorros acertavam.

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No último grupo, os passos tradicionais também foram utilizados, mas a estratégia focou mais na recompensa do que nos outros dois. Neste caso, os bichos recebiam petiscos, carinhos, brincadeiras e elogios quando faziam ações consideradas positivas com mais frequência do que ocorria nos outros dois grupos: eles só davam um petisco no final da tarefa, enquanto esse recompensava cada passo em sua execução.

Bom garoto!

Os resultados mostraram que os cães do grupo focado nas recompensas tiveram melhor performance do que os outros dois grupos. Os cachorros desse grupo, por exemplo, corriam até o treinador em média 1,13 segundos após ele dar o comando, em comparação com 1,35 segundos para o grupo dos choques elétricos e 1,24 segundos para o grupo de controle.

Além disso, 82% dos cães treinados com mais recompensas obedeciam ao comando após um único chamado do treinador, enquanto que, no grupo voltado para as punições, esse número era de 71%; no de controle, 72%. Ou seja, nesses grupos, mais cães precisavam ser chamados duas vezes ou mais para finalmente obedecer.

O estudo concluiu que, em média, os três tipos de treinamento parecem ser efetivos – mas o treinamento baseado em recompensas tem maior taxa de sucesso. O uso de coleiras que dão pequenos choques elétricos nos animais é defendido por alguns treinadores e associações, como a Electronic Collars Manufacturers Association, que inclusive participou do estudo oferecendo seu treinamento para os cães no grupo das punições. Segundo eles, o método não causa danos reais aos bichos e é mais prático, já que não exige a presença de um treinador humano na maioria dos casos e pode ser feito à distância.

Contudo, há quem discorde, inclusive os autores do estudo. “Nós defendemos o uso de treinamento baseado em recompensa para modificar o comportamento do cão”, disse o autor do estudo Jonathan Cooper, da Universidade de Lincoln, no Reino Unido, em entrevista à New Scientist. “Nosso trabalho indica que é mais eficaz do que o treinamento que envolve estímulos negativos, e traz menos riscos ao bem-estar do cão.”

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