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Pesquisadores encontram anticorpos contra a Covid-19 em cervos nos Estados Unidos

Os anticorpos foram detectados em 40% das amostras em quatro estados americanos. Cientistas receiam que os animais silvestres se tornem fontes de mutações do coronavírus

Por Maria Clara Rossini 11 ago 2021, 16h23

Mais de um terço dos cervos do noroeste dos Estados Unidos podem ter sido infectados pelo Sars-CoV-2. Cientistas do Centro Nacional de Pesquisa em Vida Selvagem testaram 385 amostras de sangue de animais selvagens e encontraram os anticorpos em 152 delas. O artigo foi submetido à Nature e está disponível em forma de preprint, mas ainda não foi revisado por outros cientistas.

A coleta de sangue dos animais era uma atividade rotineira de vigilância de vida selvagem, feita entre janeiro e março de 2021. Como os anticorpos são produzidos em resposta à infecção, é provável que os cervos tenham entrado em contato com o vírus em algum momento da pandemia. Nenhum deles apresentava sintomas ou parecia estar doente.

A pesquisa analisou o cervo-de-cauda-branca (white-tailed deer), uma espécie que apresenta manchas brancas nas costas, como no desenho Bambi. Um experimento feito no início de 2021 já mostrava que esse cervo pode contrair o Sars-CoV-2. Ele produz uma proteína, chamada ACE2, que é semelhante à humana. Essa é a porta de entrada que o coronavírus usa para entrar nas células.

  • Agora falta saber como os cervos se infectaram. Foram analisados animais de Michigan, Pensilvânia, Illinois e Nova York, mas a espécie pode ser encontrada em todo o território americano. Ela é comum em campos de golfe e perto de centros urbanos.

    Não se sabe se os cervos pegaram o vírus diretamente de humanos, de outros animais ou mesmo por meio de contato com esgoto contaminado. Como os cervos vivem em pequenos grupos, é provável que o vírus tenha se espalhado entre os indivíduos da própria espécie.

    Mesmo que o coronavírus não cause a Covid em cervos, eles são uma fonte de preocupação, pois a propagação do vírus nesses animais pode levar a mutações – que, eventualmente, poderiam ser transmitidas de volta para humanos e ameaçar a eficácia das vacinas.

    Já há casos de infecção pelo Sars-CoV-2 em visons, tigres, leões, leopardos, gorilas, gatos e cães domésticos. Os autores do novo artigo ressaltam a importância de fazer uma vigilância não só em populações de cervos, mas também de seus predadores e outras espécies que convivem com esses animais.

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