🔥 Mês do Cliente: Assine o Digital por R$ 5,99/mês e tenha conteúdo exclusivo na palma da sua mão!

Pesquisadores revelam que cratera misteriosa em SP foi causada por asteroide de zircão

A descoberta veio através de um mineral encontrado em Vargem Grande, em Parelheiros, que é capaz de guardar informações valiosas sobre eventos extremos.

Por Amanda Nascimento 18 ago 2026, 19h00 | Atualizado em 26 ago 2026, 13h52
Pesquisadores revelam que cratera misteriosa em SP foi causada por asteroide de zircão Priorizar nos meus resultados Google

No extremo da zona Sul de São Paulo, durante o início da década de 1960, imagens de satélite revelaram uma paisagem singular no distrito de Parelheiros. Uma depressão circular, com aproximadamente 3,6 quilômetros de diâmetro e cerca de 300 metros de profundidade, abrigava quase todo o bairro de Vargem Grande.

Desde então, a Cratera de Colônia (como ficou conhecida) virou o principal patrimônio de raridades geográficas da capital do Estado – tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) em 2003. Ainda assim, especialistas mantinham dúvidas sobre qual seria a origem do impacto. Havia a hipótese de que ele teria sido causada por um corpo celeste, como um cometa ou meteoro, mas também poderia ser a boca de um vulcão extinto.

Agora, um artigo publicado na revista Earth and Planetary Science confirma que a cratera resulta do impacto de um corpo celeste há milhões de anos: trata-se de um asteroide. 

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) chegaram à conclusão graças a um mineral presente nas amostras extraídas da cratera. Os grãos de zircão, como são chamados, são capazes de preservar marcas de eventos extremos de pressão e temperatura. 

Continua após a publicidade

O estudo observa que as deformações encontradas no mineral são compatíveis com o choque do impacto de um asteroide. Vale dizer que a origem do zircão não é extraterrestre, ou seja, ele já estava presente nas rochas antes do impacto. 

Até hoje, é a primeira vez que há registro da presença de zircão em um impacto por asteroide no Brasil. 

Continua após a publicidade

Qual a probabilidade da Terra ser atingida por um asteroide grande?

Asteroide em Vargem Grande

Em 2013, o geólogo Victor Velázquez Fernandez, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, autor do estudo, começou a estudar as peculiaridades da cratera. Foi graças a seus primeiros trabalhos que a estrutura passou a integrar, oficialmente, o registro internacional de crateras. À época, ele já havia achado vestígios que comprovavam que a cratera era resultado da queda de um corpo extraterrestre.

Inclusive, o ponto de referência inicial dos pesquisadores, o bairro Colônia, do lado de Vargem Grande, acabou nomeando a estrutura tempos depois – a Cratera Colônia. O local, que é uma das únicas estruturas de impactos de asteroide habitadas no mundo, abriga cerca de 40 mil a 60 mil pessoas. 

Continua após a publicidade

Desde o impacto original, que os autores não têm certeza quando foi, a cratera foi preenchida com sedimentos e restos de vegetação. Essa ocupação, porém, também foi responsável por destruir evidências macroscópicas ligadas ao fenômeno. 

Sendo assim, a alternativa dos pesquisadores foi recorrer às análises microscópicas. Eles observaram cicatrizes internas e outras deformações causadas pelo choque em um conjunto de amostras de zircão coletadas.

Continua após a publicidade

Seis grãos de zircão (de um total de 40) foram escolhidos com base em seu estado de preservação e grau de deformação para passarem por uma caracterização microscópica detalhada. Neles, as deformações indicavam ser resultado de ondas de choque – o que seria uma confirmação de que elas foram produzidas pelo choque do impacto do asteroide, e não por uma atividade tectônica ou metamorfismo, já que excedem o tipo de deformação produzida por um evento endógeno de pressão.

Agora, os próximos passos do estudo incluem outros tipos de técnicas, como a datação. Com isso, os pesquisadores esperam ter uma ideia mais clara de como e quando ocorreu o impacto.

Continua após a publicidade
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional verde-escuro com texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo uma página de notícias e um ícone de árvore verde-claroMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo O mês é do cliente. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).